Rendas, contratos e o que o Estado gasta por habitante

Equipa Sabemos Studio21/10/202611 min de leituraAnálises

Portugal fechou o 2.º trimestre com uma renda mediana de 10,17 €/m² nos novos contratos de arrendamento — mais 10,2% do que um ano antes — e com 55 pessoas detidas numa acampada pela habitação no Rossio. No mesmo mês, o Governo entregou um OE2027 que reserva 17 858 M€ para a Saúde e 2 003 M€ para a habitação. Cruzámos os dados do INE, do Portal BASE e do Orçamento para responder a três perguntas: quanto custa arrendar, quanto gasta o Estado por habitante e o que cada município contrata.

O dia em números

renda mediana10,17 €/m²novos contratos no 2.º trimestre de 2026, mais 10,2% do que um ano antes (INE)
detidos no Rossio55acampada pela habitação desmontada pela PSP; começaram hoje a ser ouvidos em tribunal
juro da habitação3,194%taxa implícita em setembro, o valor mais alto num ano (INE)
Saúde, por habitante1 731 €dos 17 858 M€ previstos no OE2027 para a Saúde
despesa municipal por habitante1 156 €soma dos 308 municípios em 2023 (INE/DGAL)
da contratação das câmaras é obra46%41,62 mil M€ em contratos municipais desde 2012

O dia em notícias

Habitação, outra vez no centro. As 55 pessoas detidas na madrugada de terça-feira durante a desocupação da acampada do Rossio, em Lisboa, começaram hoje a ser ouvidas no Juízo Local de Pequena Criminalidade, depois de libertadas sob termo de identidade e residência. O Movimento pela Habitação garantiu que vai manter a vaga de protestos e o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu que a PSP atuou «com proporcionalidade», condenando o que classificou como vandalismo à estátua de D. Pedro IV. (RTP, ECO)

O crédito também subiu. A taxa de juro implícita nos contratos de crédito à habitação subiu em setembro pelo quarto mês consecutivo, para 3,194% — o valor mais alto desde setembro de 2025 (3,228%). Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa passou de 2,910% para 2,959%. (RTP/INE)

Propinas: estudantes na rua às 17h. Associações de estudantes de várias faculdades de Lisboa manifestam-se hoje em frente ao Campus XXI contra o descongelamento das propinas a partir de 2027/2028, que a proposta de Orçamento do Estado prevê indexar ao IPC, partindo do teto de 697 euros. (Público)

OE2027: generalidade a 28 de outubro. O PS anunciou abstenção, o que garante a viabilização da proposta do Governo. O documento entregue a 8 de outubro prevê 17 858 M€ para a Saúde (menos 1,5% do que em 2026), 7 787,9 M€ para a Educação, Ciência e Inovação (+1,5%), 3 164 M€ para a Segurança Interna (+13%), 3 798,8 M€ para a Defesa (2,15% do PIB), 2 128 M€ para a Justiça (+9,3%) e 2 003 M€ de investimento em habitação pública e acessível. (DN, Público, RTP)

Faltam 300 mil casas. É a estimativa do Banco de Portugal citada hoje pelo Público: numa década os preços das casas subiram 180% e o investimento estrangeiro ligado ao imobiliário chegou aos 3,9 mil milhões de euros em 2025. Metade dos concelhos com dados de rendas está abaixo de 5,90 €/m²; Lisboa está a 17,43. (Público)

Reciclagem: mais dinheiro, o mesmo lixo. A Ponto Verde injetou mais de 90 milhões de euros nos municípios, mas a recolha selectiva cresce apenas 1% este ano e Portugal continua a falhar as metas europeias. (DN)

Rendas: 10,17 €/m² no trimestre, 9,76 €/m² no ano

O INE divulgou a 29 de setembro os números das rendas da habitação ao nível local. No 2.º trimestre de 2026, os 35 407 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares em Portugal fecharam com uma renda mediana de 10,17 €/m² — mais 10,2% do que no mesmo trimestre de 2025 e mais 7,5% do que no trimestre anterior. O número de novos contratos subiu 0,4% em termos homólogos.

Para comparar municípios, os dados certos são os dos últimos 12 meses terminados em junho: 151 181 contratos, uma renda mediana nacional de 9,76 €/m², mais 9,4% do que no ano terminado em junho de 2025. É esta a base de todas as comparações territoriais deste artigo.

A renda mediana subiu nas 26 sub-regiões NUTS III. A Grande Lisboa (14,71 €/m²) e a Madeira (12,32 €/m²) estão muito acima da referência nacional; Terras de Trás-os-Montes (4,17 €/m²) e o Alto Alentejo (4,55 €/m²) muito abaixo. Entre os municípios, 37 de 251 com amostra suficiente superam a mediana nacional — e neles vive 43% da população abrangida.

O retrato é de dois países: a mediana dos concelhos é de 5,90 €/m², mas Lisboa está a 17,43 €/m² e Mêda, no interior da Beira, a 2,65 €/m² — uma diferença de 6,6 vezes. Não é só o preço da casa que separa os dois mapas: é também o custo do dinheiro, com a taxa implícita do crédito à habitação nos 3,194% em setembro.

Os dez concelhos com rendas mais altas (12 meses até junho de 2026)

MunicípioDistrito€/m²Var. homóloga
LisboaLisboa17,43+4,6%
CascaisLisboa16,83+5,4%
OeirasLisboa15,75+8,5%
SinesSetúbal15,07+29,1%
PortoPorto14,48+5,4%
FunchalRegião Autónoma da Madeira14,03+9,9%
AlmadaSetúbal13,71+10,4%
AmadoraLisboa13,30+6,4%
OdivelasLisboa12,90+5,6%
LagosFaro12,77+6,0%

Os dez concelhos com rendas mais baixas (12 meses até junho de 2026)

MunicípioDistrito€/m²Var. homóloga
MêdaGuarda2,65—
Vila FlorBragança2,72+10,1%
AlmeidaGuarda2,85—
MarvãoPortalegre2,92-3,0%
MogadouroBragança2,92-3,6%
PinhelGuarda2,94-4,5%
Vila Nova de Foz CôaGuarda3,01-3,8%
BorbaÉvora3,03-2,9%
Celorico da BeiraGuarda3,10+9,5%
Torre de MoncorvoBragança3,13-13,5%

Renda mediana por sub-região NUTS III (€/m², 12 meses até junho de 2026)

Sub-região€/m²Var. homóloga
Grande Lisboa14,71+6,1%
Região Autónoma da Madeira12,32+15,0%
Península de Setúbal11,56+9,0%
Algarve10,96+7,1%
Área Metropolitana do Porto10,53+8,6%
Alentejo Litoral9,13+12,6%
Cávado8,08+6,5%
Oeste8,07+8,0%
Região de Coimbra7,60+7,6%
Região de Aveiro7,59+7,2%
Lezíria do Tejo6,98+11,1%
Região de Leiria6,93+9,7%
Alto Minho6,78+6,9%
Médio Tejo6,58+11,0%
Alentejo Central6,28+13,8%
Ave6,25+9,8%
Região Autónoma dos Açores6,21+8,9%
Viseu Dão Lafões5,95+7,8%
Baixo Alentejo5,75+7,1%
Alto Tâmega e Barroso5,00+9,6%
Beira Baixa4,93+4,7%
Beiras e Serra da Estrela4,93+7,9%
Douro4,92+7,9%
Tâmega e Sousa4,90+12,4%
Alto Alentejo4,55+9,1%
Terras de Trás-os-Montes4,17+12,1%

Quanto o Estado gasta por habitante

Se as rendas dizem quanto custa viver, o Orçamento diz quanto o Estado põe em cada área. Dividindo a dotação de cada ministério pela população residente (10,32 milhões, soma dos 308 municípios nos Censos 2021), o OE2027 vale 1 731 € por habitante na Saúde, 755 € na Educação, Ciência e Inovação, 368 € na Defesa, 307 € na Segurança Interna, 206 € na Justiça e 194 € na Habitação.

É um retrato claro das prioridades — e do seu desequilíbrio. A Saúde, sozinha, vale 1,5 vezes tudo o que as câmaras municipais gastam por habitante (1 156 € em 2023) em todas as áreas juntas. A Habitação, o tema que enche as ruas, fica nos 194 € por habitante, mesmo depois do reforço: 2 003 M€, dos quais 1 071 M€ para o IHRU e 917 M€ para o apoio ao arrendamento (Porta 65, PAER e contratos de investimento).

Na Segurança Interna, a maior fatia é gente: 2 420,7 M€ de despesas com pessoal (76,5% do total), com 1 198,6 M€ para a GNR e 1 151,8 M€ para a PSP. É o retrato de um Estado que gasta sobretudo em salários — e que, quando compra, compra sobretudo obras.

OE2027: dotação por habitante, em euros

Dotação proposta para 2027 dividida pela população dos Censos 2021 (10,32 milhões).

  • Saúde1 731

    17 858,0 M€

  • Educação, Ciência e Inovação755

    7 787,9 M€

  • Defesa368

    3 798,8 M€

  • Segurança Interna307

    3 164,0 M€

  • Justiça206

    2 128,0 M€

  • Habitação194

    2 003,0 M€

Proposta de Orçamento do Estado para 2027 (eo.gov.pt) e INE, Censos 2021.

OE2027: as seis áreas e o que valem por habitante

ÁreaDotação (M€)€/habitanteNota
Saúde17 8581 731menos 1,5% do que a estimativa para 2026
Educação, Ciência e Inovação7 787,9755mais 1,5%; o ensino superior e a ciência caem 7,6%
Defesa3 798,83682,15% do PIB, valor idêntico ao de 2026
Segurança Interna3 164307mais 13%; 76,5% é despesa com pessoal
Justiça2 128206mais 9,3%; 155,7 M€ de investimento
Habitação2 0031941 071 M€ para o IHRU e 917 M€ para apoio ao arrendamento

O que as câmaras contratam — e o que não contratam

Os municípios portugueses gastaram 11,93 mil M€ em 2023, segundo a DGAL através do INE: 1 156 € por habitante em média, mas com uma mediana de 1 425 € — os concelhos pequenos puxam a média para cima, porque têm custos fixos e poucos habitantes para os dividir.

Na contratação pública, o retrato é ainda mais concentrado. Desde 2012, as câmaras publicaram 586 474 contratos no Portal BASE, no valor de 41,62 mil M€ — 4 034 € por habitante em 14 anos. Quase metade é construção: 19 232,4 M€ (46,2% do total). Limpeza e ambiente valem 5,5%, transportes 4,5% e cultura e desporto 2,4%.

Saúde, educação e segurança — as três áreas de que se fala todos os dias — somam 1,4% da contratação municipal: 199,9 M€ em saúde e medicamentos, 214,9 M€ em educação e formação e 166,0 M€ em segurança e administração pública. Não é falha das câmaras: hospitais, escolas e polícias são do Estado central. É a prova de que, no terreno, o dinheiro autárquico serve sobretudo para construir, limpar e transportar.

Contratação das câmaras por área, 2012–2026 (milhões de euros)

As sete áreas somam 25 022,5 M€ (60,1% do total). O restante — 16 600,0 M€ — distribui-se por equipamento, serviços profissionais, informática, energia e demais divisões de CPV.

  • Construção (obras públicas)19 232
  • Limpeza e ambiente2 304
  • Transportes1 890
  • Cultura e desporto1 015
  • Educação e formação215
  • Saúde e medicamentos200
  • Segurança e administração pública166

Portal BASE, contratos com município como adjudicante (2012–2026), agregados por divisão de CPV.

Corvo, Alcoutim, Mértola: o país dos 6 000 € por habitante

A despesa municipal por habitante varia nove vezes entre concelhos: dos 6 078 € do Corvo aos 639 € de Câmara de Lobos. No topo estão territórios com menos de 7 000 habitantes — Corvo, Alcoutim, Mértola, Barrancos, Pampilhosa da Serra —, onde uma câmara, uma escola e um centro de saúde custam o mesmo que numa cidade, mas são divididos por muito menos gente.

No fundo da tabela está o oposto: Câmara de Lobos, Amadora, Gondomar, Santa Maria da Feira, Gaia e Santa Cruz, todos acima de 30 mil habitantes e abaixo dos 700 € por habitante. A correlação entre a renda mediana de um concelho e a sua despesa por habitante é negativa (-0,30): os concelhos com rendas altas não são os que mais gastam por residente. São os que mais contratam — a correlação com a contratação por habitante também é negativa, mas mais fraca (-0,31), e aí o que pesa é a dimensão do município e a sua carteira de obras.

Despesa municipal por habitante: os oito concelhos mais altos e os oito mais baixos (2023)

MunicípioDistritoPopulaçãoDespesa/hab.Contratos/hab.
CorvoRegião Autónoma dos Açores3866 078 €33 559 €
AlcoutimFaro2 5214 812 €18 890 €
MértolaBeja6 2054 601 €16 088 €
BarrancosBeja1 4353 948 €7 881 €
Pampilhosa da SerraCoimbra4 0673 644 €9 777 €
AvisPortalegre3 8133 566 €9 600 €
CratoPortalegre3 2253 552 €9 594 €
MourãoÉvora2 3533 484 €7 128 €
Câmara de LobosRegião Autónoma da Madeira32 175639 €2 569 €
AmadoraLisboa171 719656 €2 254 €
GondomarPorto164 255658 €2 681 €
Santa Maria da FeiraAveiro136 720674 €2 598 €
Vila Nova de GaiaPorto304 149685 €1 991 €
Santa CruzRegião Autónoma da Madeira42 262685 €1 999 €
Ponta DelgadaRegião Autónoma dos Açores67 287724 €2 477 €
Paços de FerreiraPorto55 623724 €2 557 €

Os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes: despesa, contratos e renda

MunicípioPopulaçãoDespesa/hab.Contratos/hab.Renda €/m²
Lisboa544 8511 865 €3 978 €17,43
Sintra385 9541 027 €2 648 €11,41
Vila Nova de Gaia304 149685 €1 991 €10,85
Porto231 9621 369 €4 946 €14,48
Cascais214 1341 403 €5 701 €16,83
Loures201 646987 €3 178 €12,15
Braga193 333790 €2 220 €8,68
Almada177 400858 €2 339 €13,71
Matosinhos172 669909 €3 888 €12,48
Oeiras171 8021 363 €6 136 €15,75
Amadora171 719656 €2 254 €13,30
Seixal166 693924 €2 269 €11,44
Gondomar164 255658 €2 681 €9,03
Guimarães156 852742 €3 189 €6,92
Odivelas148 156730 €2 744 €12,90
Coimbra140 7961 006 €3 590 €9,44
Vila Franca de Xira137 659761 €3 074 €11,03
Santa Maria da Feira136 720674 €2 598 €6,75
Maia134 959772 €3 593 €9,85
Vila Nova de Famalicão133 590879 €4 086 €6,90
Leiria128 640861 €4 716 €7,97
Setúbal123 684950 €3 300 €11,20
Barcelos116 777911 €2 754 €6,59
Funchal105 9191 178 €2 757 €14,03

Os dez maiores municípios: despesa e contratação por habitante (euros)

A contratação acumulada de 14 anos é, em quase todos os casos, três a quatro vezes a despesa de um ano.

  • Despesa municipal por habitante (2023)
  • Contratos por habitante (2012–2026)
  • Lisboa1 8653 978
  • Sintra1 0272 648
  • Vila Nova de Gaia6851 991
  • Porto1 3694 946
  • Cascais1 4035 701
  • Loures9873 178
  • Braga7902 220
  • Almada8582 339
  • Matosinhos9093 888
  • Oeiras1 3636 136

INE/DGAL (despesas das câmaras municipais, 2023) e Portal BASE, contratos com o município como adjudicante.

Quem contrata mais por habitante em saúde, educação e segurança

Entre os 120 municípios com mais de 20 mil habitantes, a contratação por habitante em cada área desenha mapas diferentes. Na saúde, lidera a Figueira da Foz (74 €/hab. acumulados desde 2012), seguida de Lagoa, no Algarve (73 €), Câmara de Lobos (63 €) e Porto (62 €) — em regra, municípios que asseguram directamente serviços de saúde, transporte de doentes ou programas de saúde pública.

Na educação, a Marinha Grande (170 €/hab.) destaca-se de Lagoa (154 €), Espinho (151 €) e Estarreja (138 €): são câmaras que construíram, ampliaram ou equiparam escolas — a educação pré-escolar e o 1.º ciclo são competência municipal. Na segurança, Lisboa (128 €/hab.) está muito à frente, com Vale de Cambra (88 €), Lagoa (84 €) e Almada (84 €) a seguir: polícia municipal, videovigilância, protecção civil e equipamento dos bombeiros.

Contratação por habitante em saúde, educação e segurança (municípios com 20 mil ou mais habitantes)

ÁreaMunicípio€ por habitante
SaúdeFigueira da Foz74 €
SaúdeLagoa73 €
SaúdeCâmara de Lobos63 €
SaúdePorto62 €
EducaçãoMarinha Grande170 €
EducaçãoLagoa154 €
EducaçãoEspinho151 €
EducaçãoEstarreja138 €
SegurançaLisboa128 €
SegurançaVale de Cambra88 €
SegurançaLagoa84 €
SegurançaAlmada84 €

Contratação municipal por área, 2012–2026

Área (divisões de CPV)ContratosValorQuota
Construção (obras públicas)99 74919 232,4 M€46,2%
Limpeza e ambiente19 5532 304,4 M€5,5%
Transportes35 8511 889,8 M€4,5%
Cultura e desporto52 0941 015,1 M€2,4%
Educação e formação9 485214,9 M€0,5%
Saúde e medicamentos9 407199,9 M€0,5%
Segurança e administração pública6 534166,0 M€0,4%

O Estado compra 23,7 mil milhões por ano — e a saúde é um quinto

Em 2025, a contratação pública com adjudicante identificado somou 23,67 mil M€ em 246 990 contratos no Portal BASE. Por área, a saúde — medicamentos (divisão 33) e serviços de saúde (divisão 85) — vale 4 459,8 M€, ou seja 18,8% do total e 432 € por habitante. A construção vale 8 736,2 M€ (36,9%); os transportes 1 995,0 M€; a limpeza e ambiente 1 148,9 M€; a informática 752,7 M€.

A educação contratada — serviços de ensino e formação — fica em 130,5 M€ (0,6%), porque a despesa com professores é salário, não contrato. O mesmo se passa na segurança: 193,9 M€ em contratos, contra 3 164 M€ de orçamento para a Segurança Interna. Contratos não são despesa do Estado — são a parte da despesa que passa pelo mercado. É essa a diferença que os quadros seguintes separam.

Contratação pública por área em 2025 (Portugal)

Área (CPV)ContratosValor€/habitante% do total
Saúde (33 + 85)83 7694 459,8 M€432 €18,8%
Construção (45)16 1558 736,2 M€847 €36,9%
Transportes (34 + 60)10 4821 995,0 M€193 €8,4%
Limpeza e ambiente (90)5 2381 148,9 M€111 €4,9%
Informática (72)8 425752,7 M€73 €3,2%
Cultura e desporto (92)10 041215 M€21 €0,9%
Educação (80)6 550130,5 M€13 €0,6%
Segurança e admin. pública (35 + 75)3 025193,9 M€19 €0,8%

Como se lê isto. Quatro bases diferentes, cada uma com o seu período: (1) rendas — INE, Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local, 2.º trimestre de 2026; os valores municipais são medianas dos últimos 12 meses terminados em junho de 2026 e só existem para municípios com pelo menos 33 novos contratos (251 de 308); (2) despesas municipais — INE/DGAL, indicador 0013909, ano de 2023, último publicado, para 307 municípios; (3) contratos — Portal BASE indexado no Sabemos Studio, contratos com o município como adjudicante entre 2012 e 2026 (valores declarados, sem IVA); a desagregação por CPV usa até 10 000 contratos por município (os mais recentes), o que capta quase todo o valor mas pode subestimar anos antigos; (4) OE2027 — proposta de Orçamento do Estado entregue a 8 de outubro de 2026, dotações por ministério divididas pela população dos Censos 2021 (10,32 milhões, soma dos 308 municípios). Contratos não são despesa: são a parte da despesa que passa pelo mercado. Os códigos de CPV são hierárquicos e as divisões não se somam entre si quando há mais de uma linha por contrato.

Quer estes números para o seu município?

Diga-nos o concelho ou o NIF e devolvemos a despesa por habitante, os contratos por área, as rendas e a fonte de cada valor.