Rendas, contratos e o que o Estado gasta por habitante
Portugal fechou o 2.º trimestre com uma renda mediana de 10,17 €/m² nos novos contratos de arrendamento — mais 10,2% do que um ano antes — e com 55 pessoas detidas numa acampada pela habitação no Rossio. No mesmo mês, o Governo entregou um OE2027 que reserva 17 858 M€ para a Saúde e 2 003 M€ para a habitação. Cruzámos os dados do INE, do Portal BASE e do Orçamento para responder a três perguntas: quanto custa arrendar, quanto gasta o Estado por habitante e o que cada município contrata.
O dia em números
O dia em notícias
Habitação, outra vez no centro. As 55 pessoas detidas na madrugada de terça-feira durante a desocupação da acampada do Rossio, em Lisboa, começaram hoje a ser ouvidas no Juízo Local de Pequena Criminalidade, depois de libertadas sob termo de identidade e residência. O Movimento pela Habitação garantiu que vai manter a vaga de protestos e o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu que a PSP atuou «com proporcionalidade», condenando o que classificou como vandalismo à estátua de D. Pedro IV. (RTP, ECO)
O crédito também subiu. A taxa de juro implícita nos contratos de crédito à habitação subiu em setembro pelo quarto mês consecutivo, para 3,194% — o valor mais alto desde setembro de 2025 (3,228%). Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa passou de 2,910% para 2,959%. (RTP/INE)
Propinas: estudantes na rua às 17h. Associações de estudantes de várias faculdades de Lisboa manifestam-se hoje em frente ao Campus XXI contra o descongelamento das propinas a partir de 2027/2028, que a proposta de Orçamento do Estado prevê indexar ao IPC, partindo do teto de 697 euros. (Público)
OE2027: generalidade a 28 de outubro. O PS anunciou abstenção, o que garante a viabilização da proposta do Governo. O documento entregue a 8 de outubro prevê 17 858 M€ para a Saúde (menos 1,5% do que em 2026), 7 787,9 M€ para a Educação, Ciência e Inovação (+1,5%), 3 164 M€ para a Segurança Interna (+13%), 3 798,8 M€ para a Defesa (2,15% do PIB), 2 128 M€ para a Justiça (+9,3%) e 2 003 M€ de investimento em habitação pública e acessível. (DN, Público, RTP)
Faltam 300 mil casas. É a estimativa do Banco de Portugal citada hoje pelo Público: numa década os preços das casas subiram 180% e o investimento estrangeiro ligado ao imobiliário chegou aos 3,9 mil milhões de euros em 2025. Metade dos concelhos com dados de rendas está abaixo de 5,90 €/m²; Lisboa está a 17,43. (Público)
Reciclagem: mais dinheiro, o mesmo lixo. A Ponto Verde injetou mais de 90 milhões de euros nos municípios, mas a recolha selectiva cresce apenas 1% este ano e Portugal continua a falhar as metas europeias. (DN)
Rendas: 10,17 €/m² no trimestre, 9,76 €/m² no ano
O INE divulgou a 29 de setembro os números das rendas da habitação ao nível local. No 2.º trimestre de 2026, os 35 407 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares em Portugal fecharam com uma renda mediana de 10,17 €/m² — mais 10,2% do que no mesmo trimestre de 2025 e mais 7,5% do que no trimestre anterior. O número de novos contratos subiu 0,4% em termos homólogos.
Para comparar municípios, os dados certos são os dos últimos 12 meses terminados em junho: 151 181 contratos, uma renda mediana nacional de 9,76 €/m², mais 9,4% do que no ano terminado em junho de 2025. É esta a base de todas as comparações territoriais deste artigo.
A renda mediana subiu nas 26 sub-regiões NUTS III. A Grande Lisboa (14,71 €/m²) e a Madeira (12,32 €/m²) estão muito acima da referência nacional; Terras de Trás-os-Montes (4,17 €/m²) e o Alto Alentejo (4,55 €/m²) muito abaixo. Entre os municípios, 37 de 251 com amostra suficiente superam a mediana nacional — e neles vive 43% da população abrangida.
O retrato é de dois países: a mediana dos concelhos é de 5,90 €/m², mas Lisboa está a 17,43 €/m² e Mêda, no interior da Beira, a 2,65 €/m² — uma diferença de 6,6 vezes. Não é só o preço da casa que separa os dois mapas: é também o custo do dinheiro, com a taxa implícita do crédito à habitação nos 3,194% em setembro.
Os dez concelhos com rendas mais altas (12 meses até junho de 2026)
| Município | Distrito | €/m² | Var. homóloga |
|---|---|---|---|
| Lisboa | Lisboa | 17,43 | +4,6% |
| Cascais | Lisboa | 16,83 | +5,4% |
| Oeiras | Lisboa | 15,75 | +8,5% |
| Sines | Setúbal | 15,07 | +29,1% |
| Porto | Porto | 14,48 | +5,4% |
| Funchal | Região Autónoma da Madeira | 14,03 | +9,9% |
| Almada | Setúbal | 13,71 | +10,4% |
| Amadora | Lisboa | 13,30 | +6,4% |
| Odivelas | Lisboa | 12,90 | +5,6% |
| Lagos | Faro | 12,77 | +6,0% |
Os dez concelhos com rendas mais baixas (12 meses até junho de 2026)
| Município | Distrito | €/m² | Var. homóloga |
|---|---|---|---|
| Mêda | Guarda | 2,65 | — |
| Vila Flor | Bragança | 2,72 | +10,1% |
| Almeida | Guarda | 2,85 | — |
| Marvão | Portalegre | 2,92 | -3,0% |
| Mogadouro | Bragança | 2,92 | -3,6% |
| Pinhel | Guarda | 2,94 | -4,5% |
| Vila Nova de Foz Côa | Guarda | 3,01 | -3,8% |
| Borba | Évora | 3,03 | -2,9% |
| Celorico da Beira | Guarda | 3,10 | +9,5% |
| Torre de Moncorvo | Bragança | 3,13 | -13,5% |
Renda mediana por sub-região NUTS III (€/m², 12 meses até junho de 2026)
| Sub-região | €/m² | Var. homóloga |
|---|---|---|
| Grande Lisboa | 14,71 | +6,1% |
| Região Autónoma da Madeira | 12,32 | +15,0% |
| Península de Setúbal | 11,56 | +9,0% |
| Algarve | 10,96 | +7,1% |
| Área Metropolitana do Porto | 10,53 | +8,6% |
| Alentejo Litoral | 9,13 | +12,6% |
| Cávado | 8,08 | +6,5% |
| Oeste | 8,07 | +8,0% |
| Região de Coimbra | 7,60 | +7,6% |
| Região de Aveiro | 7,59 | +7,2% |
| Lezíria do Tejo | 6,98 | +11,1% |
| Região de Leiria | 6,93 | +9,7% |
| Alto Minho | 6,78 | +6,9% |
| Médio Tejo | 6,58 | +11,0% |
| Alentejo Central | 6,28 | +13,8% |
| Ave | 6,25 | +9,8% |
| Região Autónoma dos Açores | 6,21 | +8,9% |
| Viseu Dão Lafões | 5,95 | +7,8% |
| Baixo Alentejo | 5,75 | +7,1% |
| Alto Tâmega e Barroso | 5,00 | +9,6% |
| Beira Baixa | 4,93 | +4,7% |
| Beiras e Serra da Estrela | 4,93 | +7,9% |
| Douro | 4,92 | +7,9% |
| Tâmega e Sousa | 4,90 | +12,4% |
| Alto Alentejo | 4,55 | +9,1% |
| Terras de Trás-os-Montes | 4,17 | +12,1% |
Quanto o Estado gasta por habitante
Se as rendas dizem quanto custa viver, o Orçamento diz quanto o Estado põe em cada área. Dividindo a dotação de cada ministério pela população residente (10,32 milhões, soma dos 308 municípios nos Censos 2021), o OE2027 vale 1 731 € por habitante na Saúde, 755 € na Educação, Ciência e Inovação, 368 € na Defesa, 307 € na Segurança Interna, 206 € na Justiça e 194 € na Habitação.
É um retrato claro das prioridades — e do seu desequilíbrio. A Saúde, sozinha, vale 1,5 vezes tudo o que as câmaras municipais gastam por habitante (1 156 € em 2023) em todas as áreas juntas. A Habitação, o tema que enche as ruas, fica nos 194 € por habitante, mesmo depois do reforço: 2 003 M€, dos quais 1 071 M€ para o IHRU e 917 M€ para o apoio ao arrendamento (Porta 65, PAER e contratos de investimento).
Na Segurança Interna, a maior fatia é gente: 2 420,7 M€ de despesas com pessoal (76,5% do total), com 1 198,6 M€ para a GNR e 1 151,8 M€ para a PSP. É o retrato de um Estado que gasta sobretudo em salários — e que, quando compra, compra sobretudo obras.
OE2027: dotação por habitante, em euros
Dotação proposta para 2027 dividida pela população dos Censos 2021 (10,32 milhões).
- Saúde1 731
17 858,0 M€
- Educação, Ciência e Inovação755
7 787,9 M€
- Defesa368
3 798,8 M€
- Segurança Interna307
3 164,0 M€
- Justiça206
2 128,0 M€
- Habitação194
2 003,0 M€
Proposta de Orçamento do Estado para 2027 (eo.gov.pt) e INE, Censos 2021.
OE2027: as seis áreas e o que valem por habitante
| Área | Dotação (M€) | €/habitante | Nota |
|---|---|---|---|
| Saúde | 17 858 | 1 731 | menos 1,5% do que a estimativa para 2026 |
| Educação, Ciência e Inovação | 7 787,9 | 755 | mais 1,5%; o ensino superior e a ciência caem 7,6% |
| Defesa | 3 798,8 | 368 | 2,15% do PIB, valor idêntico ao de 2026 |
| Segurança Interna | 3 164 | 307 | mais 13%; 76,5% é despesa com pessoal |
| Justiça | 2 128 | 206 | mais 9,3%; 155,7 M€ de investimento |
| Habitação | 2 003 | 194 | 1 071 M€ para o IHRU e 917 M€ para apoio ao arrendamento |
O que as câmaras contratam — e o que não contratam
Os municípios portugueses gastaram 11,93 mil M€ em 2023, segundo a DGAL através do INE: 1 156 € por habitante em média, mas com uma mediana de 1 425 € — os concelhos pequenos puxam a média para cima, porque têm custos fixos e poucos habitantes para os dividir.
Na contratação pública, o retrato é ainda mais concentrado. Desde 2012, as câmaras publicaram 586 474 contratos no Portal BASE, no valor de 41,62 mil M€ — 4 034 € por habitante em 14 anos. Quase metade é construção: 19 232,4 M€ (46,2% do total). Limpeza e ambiente valem 5,5%, transportes 4,5% e cultura e desporto 2,4%.
Saúde, educação e segurança — as três áreas de que se fala todos os dias — somam 1,4% da contratação municipal: 199,9 M€ em saúde e medicamentos, 214,9 M€ em educação e formação e 166,0 M€ em segurança e administração pública. Não é falha das câmaras: hospitais, escolas e polícias são do Estado central. É a prova de que, no terreno, o dinheiro autárquico serve sobretudo para construir, limpar e transportar.
Contratação das câmaras por área, 2012–2026 (milhões de euros)
As sete áreas somam 25 022,5 M€ (60,1% do total). O restante — 16 600,0 M€ — distribui-se por equipamento, serviços profissionais, informática, energia e demais divisões de CPV.
- Construção (obras públicas)19 232
- Limpeza e ambiente2 304
- Transportes1 890
- Cultura e desporto1 015
- Educação e formação215
- Saúde e medicamentos200
- Segurança e administração pública166
Portal BASE, contratos com município como adjudicante (2012–2026), agregados por divisão de CPV.
Corvo, Alcoutim, Mértola: o país dos 6 000 € por habitante
A despesa municipal por habitante varia nove vezes entre concelhos: dos 6 078 € do Corvo aos 639 € de Câmara de Lobos. No topo estão territórios com menos de 7 000 habitantes — Corvo, Alcoutim, Mértola, Barrancos, Pampilhosa da Serra —, onde uma câmara, uma escola e um centro de saúde custam o mesmo que numa cidade, mas são divididos por muito menos gente.
No fundo da tabela está o oposto: Câmara de Lobos, Amadora, Gondomar, Santa Maria da Feira, Gaia e Santa Cruz, todos acima de 30 mil habitantes e abaixo dos 700 € por habitante. A correlação entre a renda mediana de um concelho e a sua despesa por habitante é negativa (-0,30): os concelhos com rendas altas não são os que mais gastam por residente. São os que mais contratam — a correlação com a contratação por habitante também é negativa, mas mais fraca (-0,31), e aí o que pesa é a dimensão do município e a sua carteira de obras.
Despesa municipal por habitante: os oito concelhos mais altos e os oito mais baixos (2023)
| Município | Distrito | População | Despesa/hab. | Contratos/hab. |
|---|---|---|---|---|
| Corvo | Região Autónoma dos Açores | 386 | 6 078 € | 33 559 € |
| Alcoutim | Faro | 2 521 | 4 812 € | 18 890 € |
| Mértola | Beja | 6 205 | 4 601 € | 16 088 € |
| Barrancos | Beja | 1 435 | 3 948 € | 7 881 € |
| Pampilhosa da Serra | Coimbra | 4 067 | 3 644 € | 9 777 € |
| Avis | Portalegre | 3 813 | 3 566 € | 9 600 € |
| Crato | Portalegre | 3 225 | 3 552 € | 9 594 € |
| Mourão | Évora | 2 353 | 3 484 € | 7 128 € |
| Câmara de Lobos | Região Autónoma da Madeira | 32 175 | 639 € | 2 569 € |
| Amadora | Lisboa | 171 719 | 656 € | 2 254 € |
| Gondomar | Porto | 164 255 | 658 € | 2 681 € |
| Santa Maria da Feira | Aveiro | 136 720 | 674 € | 2 598 € |
| Vila Nova de Gaia | Porto | 304 149 | 685 € | 1 991 € |
| Santa Cruz | Região Autónoma da Madeira | 42 262 | 685 € | 1 999 € |
| Ponta Delgada | Região Autónoma dos Açores | 67 287 | 724 € | 2 477 € |
| Paços de Ferreira | Porto | 55 623 | 724 € | 2 557 € |
Os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes: despesa, contratos e renda
| Município | População | Despesa/hab. | Contratos/hab. | Renda €/m² |
|---|---|---|---|---|
| Lisboa | 544 851 | 1 865 € | 3 978 € | 17,43 |
| Sintra | 385 954 | 1 027 € | 2 648 € | 11,41 |
| Vila Nova de Gaia | 304 149 | 685 € | 1 991 € | 10,85 |
| Porto | 231 962 | 1 369 € | 4 946 € | 14,48 |
| Cascais | 214 134 | 1 403 € | 5 701 € | 16,83 |
| Loures | 201 646 | 987 € | 3 178 € | 12,15 |
| Braga | 193 333 | 790 € | 2 220 € | 8,68 |
| Almada | 177 400 | 858 € | 2 339 € | 13,71 |
| Matosinhos | 172 669 | 909 € | 3 888 € | 12,48 |
| Oeiras | 171 802 | 1 363 € | 6 136 € | 15,75 |
| Amadora | 171 719 | 656 € | 2 254 € | 13,30 |
| Seixal | 166 693 | 924 € | 2 269 € | 11,44 |
| Gondomar | 164 255 | 658 € | 2 681 € | 9,03 |
| Guimarães | 156 852 | 742 € | 3 189 € | 6,92 |
| Odivelas | 148 156 | 730 € | 2 744 € | 12,90 |
| Coimbra | 140 796 | 1 006 € | 3 590 € | 9,44 |
| Vila Franca de Xira | 137 659 | 761 € | 3 074 € | 11,03 |
| Santa Maria da Feira | 136 720 | 674 € | 2 598 € | 6,75 |
| Maia | 134 959 | 772 € | 3 593 € | 9,85 |
| Vila Nova de Famalicão | 133 590 | 879 € | 4 086 € | 6,90 |
| Leiria | 128 640 | 861 € | 4 716 € | 7,97 |
| Setúbal | 123 684 | 950 € | 3 300 € | 11,20 |
| Barcelos | 116 777 | 911 € | 2 754 € | 6,59 |
| Funchal | 105 919 | 1 178 € | 2 757 € | 14,03 |
Os dez maiores municípios: despesa e contratação por habitante (euros)
A contratação acumulada de 14 anos é, em quase todos os casos, três a quatro vezes a despesa de um ano.
- Despesa municipal por habitante (2023)
- Contratos por habitante (2012–2026)
- Lisboa1 8653 978
- Sintra1 0272 648
- Vila Nova de Gaia6851 991
- Porto1 3694 946
- Cascais1 4035 701
- Loures9873 178
- Braga7902 220
- Almada8582 339
- Matosinhos9093 888
- Oeiras1 3636 136
INE/DGAL (despesas das câmaras municipais, 2023) e Portal BASE, contratos com o município como adjudicante.
Quem contrata mais por habitante em saúde, educação e segurança
Entre os 120 municípios com mais de 20 mil habitantes, a contratação por habitante em cada área desenha mapas diferentes. Na saúde, lidera a Figueira da Foz (74 €/hab. acumulados desde 2012), seguida de Lagoa, no Algarve (73 €), Câmara de Lobos (63 €) e Porto (62 €) — em regra, municípios que asseguram directamente serviços de saúde, transporte de doentes ou programas de saúde pública.
Na educação, a Marinha Grande (170 €/hab.) destaca-se de Lagoa (154 €), Espinho (151 €) e Estarreja (138 €): são câmaras que construíram, ampliaram ou equiparam escolas — a educação pré-escolar e o 1.º ciclo são competência municipal. Na segurança, Lisboa (128 €/hab.) está muito à frente, com Vale de Cambra (88 €), Lagoa (84 €) e Almada (84 €) a seguir: polícia municipal, videovigilância, protecção civil e equipamento dos bombeiros.
Contratação por habitante em saúde, educação e segurança (municípios com 20 mil ou mais habitantes)
| Área | Município | € por habitante |
|---|---|---|
| Saúde | Figueira da Foz | 74 € |
| Saúde | Lagoa | 73 € |
| Saúde | Câmara de Lobos | 63 € |
| Saúde | Porto | 62 € |
| Educação | Marinha Grande | 170 € |
| Educação | Lagoa | 154 € |
| Educação | Espinho | 151 € |
| Educação | Estarreja | 138 € |
| Segurança | Lisboa | 128 € |
| Segurança | Vale de Cambra | 88 € |
| Segurança | Lagoa | 84 € |
| Segurança | Almada | 84 € |
Contratação municipal por área, 2012–2026
| Área (divisões de CPV) | Contratos | Valor | Quota |
|---|---|---|---|
| Construção (obras públicas) | 99 749 | 19 232,4 M€ | 46,2% |
| Limpeza e ambiente | 19 553 | 2 304,4 M€ | 5,5% |
| Transportes | 35 851 | 1 889,8 M€ | 4,5% |
| Cultura e desporto | 52 094 | 1 015,1 M€ | 2,4% |
| Educação e formação | 9 485 | 214,9 M€ | 0,5% |
| Saúde e medicamentos | 9 407 | 199,9 M€ | 0,5% |
| Segurança e administração pública | 6 534 | 166,0 M€ | 0,4% |
O Estado compra 23,7 mil milhões por ano — e a saúde é um quinto
Em 2025, a contratação pública com adjudicante identificado somou 23,67 mil M€ em 246 990 contratos no Portal BASE. Por área, a saúde — medicamentos (divisão 33) e serviços de saúde (divisão 85) — vale 4 459,8 M€, ou seja 18,8% do total e 432 € por habitante. A construção vale 8 736,2 M€ (36,9%); os transportes 1 995,0 M€; a limpeza e ambiente 1 148,9 M€; a informática 752,7 M€.
A educação contratada — serviços de ensino e formação — fica em 130,5 M€ (0,6%), porque a despesa com professores é salário, não contrato. O mesmo se passa na segurança: 193,9 M€ em contratos, contra 3 164 M€ de orçamento para a Segurança Interna. Contratos não são despesa do Estado — são a parte da despesa que passa pelo mercado. É essa a diferença que os quadros seguintes separam.
Contratação pública por área em 2025 (Portugal)
| Área (CPV) | Contratos | Valor | €/habitante | % do total |
|---|---|---|---|---|
| Saúde (33 + 85) | 83 769 | 4 459,8 M€ | 432 € | 18,8% |
| Construção (45) | 16 155 | 8 736,2 M€ | 847 € | 36,9% |
| Transportes (34 + 60) | 10 482 | 1 995,0 M€ | 193 € | 8,4% |
| Limpeza e ambiente (90) | 5 238 | 1 148,9 M€ | 111 € | 4,9% |
| Informática (72) | 8 425 | 752,7 M€ | 73 € | 3,2% |
| Cultura e desporto (92) | 10 041 | 215 M€ | 21 € | 0,9% |
| Educação (80) | 6 550 | 130,5 M€ | 13 € | 0,6% |
| Segurança e admin. pública (35 + 75) | 3 025 | 193,9 M€ | 19 € | 0,8% |
Como se lê isto. Quatro bases diferentes, cada uma com o seu período: (1) rendas — INE, Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local, 2.º trimestre de 2026; os valores municipais são medianas dos últimos 12 meses terminados em junho de 2026 e só existem para municípios com pelo menos 33 novos contratos (251 de 308); (2) despesas municipais — INE/DGAL, indicador 0013909, ano de 2023, último publicado, para 307 municípios; (3) contratos — Portal BASE indexado no Sabemos Studio, contratos com o município como adjudicante entre 2012 e 2026 (valores declarados, sem IVA); a desagregação por CPV usa até 10 000 contratos por município (os mais recentes), o que capta quase todo o valor mas pode subestimar anos antigos; (4) OE2027 — proposta de Orçamento do Estado entregue a 8 de outubro de 2026, dotações por ministério divididas pela população dos Censos 2021 (10,32 milhões, soma dos 308 municípios). Contratos não são despesa: são a parte da despesa que passa pelo mercado. Os códigos de CPV são hierárquicos e as divisões não se somam entre si quando há mais de uma linha por contrato.
Fontes
INE — Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local, 2.º trimestre de 2026 · INE — Despesas das câmaras municipais, indicador 0013909 · Portal BASE — contratos públicos, via Sabemos Studio · Proposta de Orçamento do Estado para 2027 · INE — taxa de juro implícita no crédito à habitação, setembro de 2026 · Notícias citadas: RTP, Público, ECO e DN (20 e 21 de outubro de 2026).
Quer estes números para o seu município?
Diga-nos o concelho ou o NIF e devolvemos a despesa por habitante, os contratos por área, as rendas e a fonte de cada valor.