Quem se senta com quem: os vinte polos que ligam os deputados

Sabemos Studio22/10/20264 min de leituraAnálises
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A Assembleia da República liga 102 dos 392 deputados na base; o PS 25 e o PSD 24; a Assembleia Municipal de Lisboa junta 17. Universidades, faculdades e autarquias completam os polos — e há deputados presentes em quatro deles ao mesmo tempo.

Como se lê isto

O IQ OS construiu um grafo com as declarações da Entidade para a Transparência: 22.983 nós e 31.947 arestas que ligam pessoas, cargos, entidades e empresas. Cada aresta é uma relação declarada — exerce o cargo, tem atividade em, tem participação em, recebeu apoio de, prestou serviço a.

Deste universo, 392 são pessoas que exerceram o mandato de deputado entre 2024 e 2026. O que fizemos foi olhar para os vinte nós com mais ligações e contar quantos desses deputados passam por cada um.

O resultado não mede influência: mede sobreposição de percursos declarados. É a diferença entre dizer "estas pessoas partilham uma instituição" e dizer "estas pessoas combinam entre si".

Os cinco maiores polos

Assembleia da República102deputados ligados, de 392
Partido Socialista2540 pessoas ligadas ao nó
PSD2445 pessoas ligadas ao nó
Assembleia Municipal de Lisboa1753 pessoas ligadas ao nó
Chega1620 pessoas ligadas ao nó

Partidos e câmaras: os polos óbvios

A Assembleia da República era o resultado esperado — todos os deputados lá passam. Mas chama a atenção a Assembleia Municipal de Lisboa: 17 deputados e 53 pessoas ligadas ao mesmo nó, mais gente do que qualquer partido. É o efeito de acumulação entre mandato nacional e local, num concelho onde se cruzam vários percursos.

O PS (25 deputados em 40 pessoas) e o PSD (24 em 45) são os polos partidários mais densos. O Chega aparece com 16 deputados, mas num universo de apenas 20 pessoas — quase todos os que declaram ligação ao partido são deputados, enquanto nos partidos maiores há mais quadros sem mandato.

Os dez polos com mais deputados

PoloDeputadosPessoas
Assembleia da República102119
Partido Socialista2540
Partido Social Democrata2445
Assembleia Municipal de Lisboa1753
Chega1620
Município do Porto928
Universidade Católica Portuguesa746
Faculdade de Medicina da U. Porto739
ISCTE-IUL521
Faculdade de Direito da U. Coimbra519

As faculdades pesam mais do que as empresas

Entre os vinte maiores polos, o ensino superior ocupa oito lugares: Universidade Católica (46 pessoas), Faculdade de Medicina do Porto (39), ISCTE (21), Faculdade de Direito de Coimbra (19), Faculdade de Direito de Lisboa (18) e Universidade Nova (29); ISCSP e Universidade do Minho fecham a lista. Só uma empresa privada — e nenhuma sociedade anónima cotada — aparece neste grupo.

Isto diz menos sobre a economia e mais sobre o perfil de quem chega a deputado: grande parte vem de carreiras académicas, advocacia e administração local, e são essas instituições que ficam registadas na declaração. As participações em empresas, essas, são 29 no total de 2026 — demasiado dispersas para formar polos.

As pontes: quem está em quatro sítios ao mesmo tempo

Dez deputados aparecem em três ou mais dos vinte maiores polos. No topo, com quatro cada: Alexandra Leitão (Assembleia, Assembleia Municipal de Lisboa, Faculdade de Direito de Lisboa e ISCSP), Fátima Fonseca (Assembleia, Assembleia Municipal de Lisboa, ISCTE e ISCSP) e Pedro Delgado Alves (Assembleia, PS, Assembleia Municipal de Lisboa e Faculdade de Direito de Lisboa).

Não é irregular — é acumulação de funções declarada, e é precisamente o que o registo serve para tornar visível. Mas mostra como o mesmo pequeno conjunto de instituições — Parlamento, câmara municipal de Lisboa e duas faculdades de Direito — estrutura boa parte dos percursos.

Deputados presentes em mais polos

DeputadoPolos
Alexandra Leitão4
Fátima Fonseca4
Pedro Delgado Alves4
Alberto Machado3
Bruno Aragão Henriques3
Olga Freire3

O que estes números não provam

Não provam influência. Uma aresta significa que uma ligação foi declarada, com datas de início e fim. Não diz se a pessoa ainda lá está, nem se tem poder de decisão.

Não cobrem todos. O grafo tem 12.478 pessoas e apenas 392 deputados: os restantes são autarcas, dirigentes, administradores e gestores públicos. E há deputados sem registo de interesses indexado — a ausência no grafo não significa ausência de percurso.

Dependem de homonímia controlada. Cruzámos nomes normalizados, não NIF. Em pessoas com nomes comuns, o risco de confundir dois homónimos existe; nas empresas usámos sempre o NIF, que é o único campo que garante a ligação.

Agregam anos diferentes. As declarações vão de 2024 a 2026 e o grafo junta todos os anos — alguém que saiu em 2024 continua a aparecer ligado à instituição onde esteve.

Método: grafo de transparência do IQ OS (22.983 nós, 31.947 arestas, base de 20/10/2026), construído a partir das declarações da Entidade para a Transparência. Universo de deputados: 392 titulares com declarações entre 2024 e 2026. Polos: os 20 nós com mais ligações, expandidos a um salto; contagem de pessoas por nó. Cruzamento por nome normalizado. Análise descritiva de dados públicos, não é acusação nem recomendação.

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