Quem se senta com quem: os vinte polos que ligam os deputados
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A Assembleia da República liga 102 dos 392 deputados na base; o PS 25 e o PSD 24; a Assembleia Municipal de Lisboa junta 17. Universidades, faculdades e autarquias completam os polos — e há deputados presentes em quatro deles ao mesmo tempo.
Como se lê isto
O IQ OS construiu um grafo com as declarações da Entidade para a Transparência: 22.983 nós e 31.947 arestas que ligam pessoas, cargos, entidades e empresas. Cada aresta é uma relação declarada — exerce o cargo, tem atividade em, tem participação em, recebeu apoio de, prestou serviço a.
Deste universo, 392 são pessoas que exerceram o mandato de deputado entre 2024 e 2026. O que fizemos foi olhar para os vinte nós com mais ligações e contar quantos desses deputados passam por cada um.
O resultado não mede influência: mede sobreposição de percursos declarados. É a diferença entre dizer "estas pessoas partilham uma instituição" e dizer "estas pessoas combinam entre si".
Os cinco maiores polos
Partidos e câmaras: os polos óbvios
A Assembleia da República era o resultado esperado — todos os deputados lá passam. Mas chama a atenção a Assembleia Municipal de Lisboa: 17 deputados e 53 pessoas ligadas ao mesmo nó, mais gente do que qualquer partido. É o efeito de acumulação entre mandato nacional e local, num concelho onde se cruzam vários percursos.
O PS (25 deputados em 40 pessoas) e o PSD (24 em 45) são os polos partidários mais densos. O Chega aparece com 16 deputados, mas num universo de apenas 20 pessoas — quase todos os que declaram ligação ao partido são deputados, enquanto nos partidos maiores há mais quadros sem mandato.
Os dez polos com mais deputados
| Polo | Deputados | Pessoas |
|---|---|---|
| Assembleia da República | 102 | 119 |
| Partido Socialista | 25 | 40 |
| Partido Social Democrata | 24 | 45 |
| Assembleia Municipal de Lisboa | 17 | 53 |
| Chega | 16 | 20 |
| Município do Porto | 9 | 28 |
| Universidade Católica Portuguesa | 7 | 46 |
| Faculdade de Medicina da U. Porto | 7 | 39 |
| ISCTE-IUL | 5 | 21 |
| Faculdade de Direito da U. Coimbra | 5 | 19 |
As faculdades pesam mais do que as empresas
Entre os vinte maiores polos, o ensino superior ocupa oito lugares: Universidade Católica (46 pessoas), Faculdade de Medicina do Porto (39), ISCTE (21), Faculdade de Direito de Coimbra (19), Faculdade de Direito de Lisboa (18) e Universidade Nova (29); ISCSP e Universidade do Minho fecham a lista. Só uma empresa privada — e nenhuma sociedade anónima cotada — aparece neste grupo.
Isto diz menos sobre a economia e mais sobre o perfil de quem chega a deputado: grande parte vem de carreiras académicas, advocacia e administração local, e são essas instituições que ficam registadas na declaração. As participações em empresas, essas, são 29 no total de 2026 — demasiado dispersas para formar polos.
As pontes: quem está em quatro sítios ao mesmo tempo
Dez deputados aparecem em três ou mais dos vinte maiores polos. No topo, com quatro cada: Alexandra Leitão (Assembleia, Assembleia Municipal de Lisboa, Faculdade de Direito de Lisboa e ISCSP), Fátima Fonseca (Assembleia, Assembleia Municipal de Lisboa, ISCTE e ISCSP) e Pedro Delgado Alves (Assembleia, PS, Assembleia Municipal de Lisboa e Faculdade de Direito de Lisboa).
Não é irregular — é acumulação de funções declarada, e é precisamente o que o registo serve para tornar visível. Mas mostra como o mesmo pequeno conjunto de instituições — Parlamento, câmara municipal de Lisboa e duas faculdades de Direito — estrutura boa parte dos percursos.
Deputados presentes em mais polos
| Deputado | Polos |
|---|---|
| Alexandra Leitão | 4 |
| Fátima Fonseca | 4 |
| Pedro Delgado Alves | 4 |
| Alberto Machado | 3 |
| Bruno Aragão Henriques | 3 |
| Olga Freire | 3 |
O que estes números não provam
Não provam influência. Uma aresta significa que uma ligação foi declarada, com datas de início e fim. Não diz se a pessoa ainda lá está, nem se tem poder de decisão.
Não cobrem todos. O grafo tem 12.478 pessoas e apenas 392 deputados: os restantes são autarcas, dirigentes, administradores e gestores públicos. E há deputados sem registo de interesses indexado — a ausência no grafo não significa ausência de percurso.
Dependem de homonímia controlada. Cruzámos nomes normalizados, não NIF. Em pessoas com nomes comuns, o risco de confundir dois homónimos existe; nas empresas usámos sempre o NIF, que é o único campo que garante a ligação.
Agregam anos diferentes. As declarações vão de 2024 a 2026 e o grafo junta todos os anos — alguém que saiu em 2024 continua a aparecer ligado à instituição onde esteve.
Método: grafo de transparência do IQ OS (22.983 nós, 31.947 arestas, base de 20/10/2026), construído a partir das declarações da Entidade para a Transparência. Universo de deputados: 392 titulares com declarações entre 2024 e 2026. Polos: os 20 nós com mais ligações, expandidos a um salto; contagem de pessoas por nó. Cruzamento por nome normalizado. Análise descritiva de dados públicos, não é acusação nem recomendação.
Fontes
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