Quanto custa um ministério: salários, gabinetes e as contas dos 18 ministérios

Equipa Sabemos Studio19/10/20265 min de leituraAnálises

Há duas despesas em cada ministério: o salário de quem governa e o custo de quem o assessora. Juntas, as duas somam 4,21 M€ por mês. Os gabinetes valem 12,5 vezes mais do que os vencimentos dos 59 membros do Governo — e o ministério mais caro custa 4,5 vezes o mais barato.

Com os despachos do Diário da República e a lei que fixa os salários dos cargos políticos, este artigo abre as contas dos 18 ministérios: quem ganha o quê, quantas pessoas trabalham em cada gabinete e o que sobra para cada ministro depois de pagar à sua própria estrutura.

O Governo em números

por mês em salários brutos3,90 M€1 215 nomeações nos gabinetes dos 18 ministérios
pessoas nos gabinetes1 215para 59 membros do Governo
salário médio mensal3 277 €mediana entre ministérios: 3 321 €
o custo dos gabinetes12,5×face ao salário dos 59 governantes (311 224 €/mês)
secretários de Estado41para 17 ministros e um primeiro-ministro

Dois andares de despesa

Um ministério custa duas coisas diferentes. A primeira é o titular: um ministro, os seus secretários de Estado e o salário que a lei lhes fixa. A segunda é o gabinete: as dezenas de pessoas nomeadas por despacho para o assessorar — chefes de gabinete, adjuntos, técnicos especialistas, secretárias pessoais e motoristas.

Este artigo mede os dois. Nos 18 ministérios do XXIV Governo há 1 215 nomeações em gabinetes, que custam 3,90 M€ por mês em remunerações brutas — 54,64 M€ por ano se se contarem os 14 pagamentos. Para comparar: os 59 membros do Governo custam, em vencimentos, 311 224 € por mês.

Os dados vêm dos despachos de nomeação publicados no Diário da República e compilados na ficha de cada membro do Governo; os valores são o rendimento bruto mensal associado a cada nomeação.

Quanto ganha quem governa (2026)

Cargo% do PRVencimento (€)Representação (€)Total mês (€)Bruto anual (€)
Presidente da República100%8 550—8 550119 701
Primeiro-Ministro75%6 4132 5658 978120 556
Ministro65%5 5582 2237 781104 482
Secretário de Estado60%5 1301 7966 92693 367

O país dos 65%

Um ministro ganha 5 558 € por mês de vencimento base, mais 2 223 € de despesas de representação — 7 781 € por mês e 104 482 € por ano, contando os 14 vencimentos e as 12 mensalidades de representação. É 65% do que ganha o Presidente da República e 87% do que ganha o primeiro-ministro (8 978 € por mês).

Um secretário de Estado fica nos 5 130 € de vencimento e 6 926 € com representação. Estes valores não são negociados: resultam de uma lei de 1985 e de uma indexação automática ao salário do chefe de Estado, o que explica porque é que a folha salarial do topo do Governo é, ao euro, previsível.

O custo mensal de cada ministério

Soma das remunerações brutas mensais de todas as nomeações nos gabinetes do ministro e dos seus secretários de Estado.

  • Negócios Estrangeiros490 mil €

    153 pessoas · média de 3 200 €

  • Finanças359 mil €

    114 pessoas · média de 3 145 €

  • Ambiente e Energia305 mil €

    98 pessoas · média de 3 276 €

  • Justiça265 mil €

    83 pessoas · média de 3 188 €

  • Infraestruturas e Habitação257 mil €

    85 pessoas · média de 3 384 €

  • Economia241 mil €

    77 pessoas · média de 3 253 €

  • Educação, Ciência e Inovação230 mil €

    74 pessoas · média de 3 108 €

  • Agricultura e Pescas208 mil €

    63 pessoas · média de 3 363 €

  • Coesão Territorial200 mil €

    58 pessoas · média de 3 455 €

  • Trabalho, Solidariedade e Segurança Social195 mil €

    62 pessoas · média de 3 153 €

  • Defesa Nacional183 mil €

    56 pessoas · média de 3 321 €

  • Saúde165 mil €

    52 pessoas · média de 3 236 €

  • Administração Interna150 mil €

    51 pessoas · média de 3 068 €

  • Juventude e Modernização141 mil €

    41 pessoas · média de 3 528 €

  • Presidência141 mil €

    42 pessoas · média de 3 350 €

  • Primeiro-Ministro136 mil €

    35 pessoas · média de 3 877 €

  • Assuntos Parlamentares129 mil €

    39 pessoas · média de 3 395 €

  • Cultura108 mil €

    32 pessoas · média de 3 381 €

Diário da República (despachos de nomeação), fichas do Governo no Sabemos Studio · composição de 5 de junho de 2025.

Negócios Estrangeiros custa 4,5 vezes a Cultura

O ministério mais caro é Negócios Estrangeiros: 489 673 € por mês em 153 nomeações — o gabinete do ministro Paulo Rangel e os de três secretários de Estado. Segue-se Finanças (358 535 €, 114 pessoas) e Ambiente e Energia (304 677 €, 98).

No fundo da tabela está Cultura, com 108 192 € e 32 pessoas — quase 4,5 vezes menos do que os Negócios Estrangeiros.

A dimensão do gabinete segue a dimensão da pasta, não o número de secretários de Estado: a Economia tem três secretários e um gabinete de 77 pessoas; a Presidência tem dois e 42.

A média por pessoa quase não muda

Do mínimo (Administração Interna, 3 068 €) ao máximo (Primeiro-Ministro, 3 877 €), a diferença é de 26,4%.

  • Primeiro-Ministro4 mil €

    35 registos com valor

  • Juventude e Modernização4 mil €

    40 registos com valor

  • Coesão Territorial3 mil €

    58 registos com valor

  • Assuntos Parlamentares3 mil €

    38 registos com valor

  • Infraestruturas e Habitação3 mil €

    76 registos com valor

  • Cultura3 mil €

    32 registos com valor

  • Agricultura e Pescas3 mil €

    62 registos com valor

  • Presidência3 mil €

    42 registos com valor

  • Defesa Nacional3 mil €

    55 registos com valor

  • Ambiente e Energia3 mil €

    93 registos com valor

  • Economia3 mil €

    74 registos com valor

  • Saúde3 mil €

    51 registos com valor

  • Negócios Estrangeiros3 mil €

    153 registos com valor

  • Justiça3 mil €

    83 registos com valor

  • Trabalho, Solidariedade e Segurança Social3 mil €

    62 registos com valor

  • Finanças3 mil €

    114 registos com valor

  • Educação, Ciência e Inovação3 mil €

    74 registos com valor

  • Administração Interna3 mil €

    49 registos com valor

Média das remunerações brutas mensais declaradas, por nomeação.

O mesmo dinheiro, distribuído de outra forma

O que muda entre ministérios é o número de pessoas, não o que cada uma ganha. A média por nomeação vai de 3 068 € (Administração Interna) a 3 877 € (Primeiro-Ministro) — uma diferença de apenas 26,4%.

Quase todos os gabinetes têm um chefe de gabinete a ganhar 5 144 € — praticamente o vencimento de um secretário de Estado (5 130 € em 2026). A única exceção é o gabinete do primeiro-ministro, onde o chefe aufere 6 147 €. A estrutura é rígida: quem entra para um gabinete entra numa grelha, não numa negociação.

Os 18 ministérios, do mais caro ao mais barato

MinistérioTitularPessoasCusto/mês (€)Média (€)× governantes
Negócios EstrangeirosPaulo Rangel153489 6733 20023,4×
FinançasJoaquim Miranda Sarmento114358 5353 14513,7×
Ambiente e EnergiaMaria da Graça Carvalho98304 6773 27619,3×
JustiçaRita Alarcão Júdice83264 5813 18816,7×
Infraestruturas e HabitaçãoMiguel Pinto Luz85257 1813 38412,3×
EconomiaPedro Reis77240 7173 25311,5×
Educação, Ciência e InovaçãoFernando Alexandre74230 0113 10811,0×
Agricultura e PescasJosé Manuel Fernandes63208 4973 36310,0×
Coesão TerritorialManuel Castro Almeida58200 3853 45512,7×
Trabalho, Solidariedade e Segurança SocialMaria do Rosário Palma Ramalho62195 4663 1539,3×
Defesa NacionalNuno Melo56182 6593 32111,5×
SaúdeAna Paula Martins52165 0423 23610,4×
Administração InternaMargarida Blasco51150 3403 0689,5×
Juventude e ModernizaçãoMargarida Balseiro Lopes41141 1353 5288,9×
PresidênciaAntónio Leitão Amaro42140 7013 3508,9×
Primeiro-MinistroLuís Montenegro35135 7073 87721,2×
Assuntos ParlamentaresPedro Duarte39129 0023 3958,2×
CulturaDalila Rodrigues32108 1923 38110,1×

Por cada euro do ministro, o gabinete custa 12

No conjunto, os gabinetes custam 12,5 vezes o que custam os salários dos governantes que assessoram. O rácio mais alto é o de Negócios Estrangeiros (23,4×): cada euro pago ao ministro e aos seus três secretários corresponde a 23 euros de gabinete. O mais baixo é o de Assuntos Parlamentares (8,2×), o ministério com mais governantes por pessoa de gabinete — 3 membros, 39 nomeações.

A leitura política é simples: o custo do Governo não está nos salários dos ministros, que são baixos para o padrão do topo da Administração Pública, mas na estrutura que cada um monta à sua volta.

Quem trabalha nos gabinetes (nº de nomeações)

Funções normalizadas a partir da designação de cada despacho (masculino/feminino agregados).

  • Técnico especialista404

    média de 3 791 €

  • Adjunto213

    média de 3 936 €

  • Secretário pessoal161

    média de 2 527 €

  • Motorista154

    média de 2 298 €

  • Apoio técnico-administrativo131

    média de 1 897 €

  • Chefe de gabinete70

    média de 5 087 €

  • Pessoal auxiliar42

    média de 1 205 €

  • Coordenador do apoio31

    média de 2 337 €

  • Assessor9

    média de 4 929 €

Diário da República · 1 215 nomeações em gabinetes do Governo.

A grelha dos gabinetes

FunçãoNomeaçõesBruto total (€)Média (€)Máximo (€)
Técnico especialista4041 531 5373 7914 770
Adjunto213838 2863 9364 302
Secretário pessoal161406 8232 5272 610
Motorista154353 8842 2982 344
Apoio técnico-administrativo131248 4601 8971 934
Chefe de gabinete70356 0715 0876 147
Pessoal auxiliar4250 6241 2051 235
Coordenador do apoio3172 4612 3372 337
Assessor944 3594 9295 128

Técnicos, adjuntos e motoristas

A função mais comum é técnico especialista (404 nomeações), seguida de adjunto (213) e secretário pessoal (161). Os motoristas são 154 e há 70 chefes de gabinete para 59 membros do Governo.

As médias por função sobem com a responsabilidade: 1 205 € para pessoal auxiliar e 5 087 € para chefes de gabinete. Dentro de cada função, a variação entre ministérios é mínima — é a mesma grelha aplicada a todos os gabinetes.

O que está — e o que não está — nestes números. A base é a composição do XXIV Governo registada a 5 de junho de 2025: 59 membros (um primeiro-ministro, 17 ministros e 41 secretários de Estado) e 1 215 nomeações em gabinetes, das quais 1 191 têm valor de remuneração declarado (as restantes não entram nas médias). Os valores são rendimento bruto mensal por nomeação, tal como constam dos despachos publicados no Diário da República; não incluem subsídios de refeição, ajudas de custo, deslocações, seguros ou contribuições da entidade empregadora.

Vencimentos dos governantes. Calculados a partir da Lei n.º 4/85 e do vencimento do Presidente da República para 2026 (8 550,10 €, DL n.º 29-A/2026): primeiro-ministro 75%, ministros 65%, secretários de Estado 60%; despesas de representação de 40%, 40% e 35%. O bruto anual usa 14 vencimentos e 12 mensalidades de representação, como manda o estatuto. O custo anual dos gabinetes (54,64 M€) assume também 14 pagamentos, para ser comparável.

Não estão aqui os gabinetes dos grupos parlamentares, os assessores dos partidos pagos pelo Orçamento do Estado, nem os encargos com instalações, viaturas e comunicações — que acresceriam a estes valores.

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