Publicidade pública: 2.863 contratos e 156,6 milhões desde 2021
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Os contratos públicos de publicidade e marketing somam 2.863 contratos e 156,6 milhões de euros entre 2021 e outubro de 2026. Dois terços do dinheiro estão em dois anos e num punhado de compradores: a Santa Casa concentra 32% do valor e o Turismo de Portugal assinou o maior contrato, de 40 milhões.
O que contámos
Todos os contratos públicos classificados no CPV 79340000 — serviços de publicidade e de marketing: compra de espaço, campanhas, agências criativas, planeamento de meios e publicidade exterior. É a melhor aproximação disponível ao que o Estado gasta a comunicar.
Entre 1 de janeiro de 2021 e outubro de 2026 há 2.863 contratos, no valor de 156,6 milhões de euros, com 636 entidades compradoras e 1.114 fornecedores no conjunto indexado. O universo total (incluindo resíduos de 2019 e 2020) tem 2.935 contratos e 157,2 milhões.
O ano mais pesado é 2025, com 76,2 milhões — quase metade de todo o período num único ano.
Os números
Contratos e valor por ano
| Ano | Contratos | Valor | Média |
|---|---|---|---|
| 2021 | 404 | 8,36 M€ | 20.681 € |
| 2022 | 467 | 18,30 M€ | 39.194 € |
| 2023 | 478 | 10,70 M€ | 22.386 € |
| 2024 | 561 | 29,33 M€ | 52.289 € |
| 2025 | 502 | 76,23 M€ | 151.862 € |
| 2026* | 451 | 13,68 M€ | 30.336 € |
2025: dois compradores explicam o pico
O maior contrato do período foi assinado a 1 de julho de 2025: 40 milhões de euros do Instituto do Turismo de Portugal à Dentsu Creative, para um acordo-quadro de planeamento, implementação, otimização e acompanhamento da compra de meios da campanha de publicidade digital do turismo.
No mesmo ano, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa assinou três contratos de agência criativa que somam 20,85 milhões: 8,1 e 5,25 milhões com a NOSSA – Agência de Comunicação e 7,5 milhões com a VML Portugal.
Só estes quatro contratos valem 60,85 milhões — 80% de tudo o que foi contratado em 2025.
Os cinco maiores contratos desde 2021
| Comprador | Fornecedor | Valor |
|---|---|---|
| Turismo de Portugal | Dentsu Creative | 40,0 M€ |
| Santa Casa de Lisboa | NOSSA Comunicação | 8,1 M€ |
| Santa Casa de Lisboa | VML Portugal | 7,5 M€ |
| Santa Casa de Lisboa | NOSSA Comunicação | 5,25 M€ |
| Santa Casa de Lisboa | Fullsix Portugal | 4,5 M€ |
Quem recebe: media ou agências?
A resposta depende do que se procura. Por número de contratos, os grupos de media aparecem à frente: Medialivre (35 contratos, 2,22 milhões), Impresa Publishing (26, 0,74), Global Notícias (24, 0,85), Notícias Ilimitadas (22, 0,76) e Público (16, 0,48).
Por valor, quem lidera são agências e centrais de meios: Dentsu, NOSSA, VML, além de operadores de publicidade exterior como a MOP – Multimédia Outdoors (20 contratos, 3,84 milhões) e a Opal Publicidade (21, 1,85). O dinheiro público entra primeiro na agência, que depois compra espaço nos media — e é aí que os grupos de comunicação aparecem, em contratos mais pequenos e mais numerosos.
Nos operadores de rádio, o BMHAudio Portugal tem 20 contratos e 2,13 milhões.
Quem gasta e como
Os compradores mais activos em número de contratos são câmaras e instituições pequenas: Município de Matosinhos (95 contratos, 2,84 milhões), Vila Velha de Ródão (77, 0,23), Instituto Politécnico de Tomar (55, 0,19) e Universidade de Coimbra (54, 0,98).
Por valor, o retrato é outro: a Santa Casa tem 50,7 milhões em 68 contratos — 32% de tudo —, seguida do Turismo de Portugal, com um único contrato de 40 milhões.
O procedimento dominante é o ajuste direto: 1.828 dos 2.935 contratos do universo (62%). Segue-se a consulta prévia (788). O concurso público são 149 contratos — mas é onde estão os valores grandes.
O que estes números não dizem
Publicidade não é só compra de espaço. O CPV 79340000 inclui agências criativas, estudos de mercado, marketing e publicidade exterior. Uma parte do valor não chega aos media.
Preço contratual não é gasto. Em acordos-quadro, o valor é um teto: o Turismo pode ter gasto muito menos do que os 40 milhões previstos.
2026 está incompleto. Os dados vão até outubro e o portal BASE tem atrasos de publicação; o ano não é comparável com os anteriores.
O CPV é declarado pelo comprador. Contratos de comunicação mal classificados ficam de fora, e outros entram por engano. E as fundações e empresas públicas com publicidade própria podem estar noutros códigos.
Método: contratos públicos do portal BASE indexados no IQ OS, CPV 79340000 (serviços de publicidade e de marketing), com data de celebração entre 1/1/2021 e outubro de 2026. Contagens e somas por preço contratual; médias aritméticas. Universo: 2.863 contratos e 156,6 milhões de euros. Análise descritiva de dados públicos, não é acusação nem recomendação.
Fontes
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