102 anúncios, 96 empresas: o mapa de quem cortou postos por causa da IA

Sabemos Studio31/10/202624 min de leituraAnálises

Mapa, tabela pesquisável e filtros dos 97 anúncios de despedimentos em que a IA foi citada, de 2023 a outubro de 2026 — e o que isso já significa em Portugal.

Há uma diferença entre despedimentos que coincidem com a IA e despedimentos em que a empresa diz que foi a IA. Este mapa só tem os segundos: 102 anúncios, 96 empresas, 17 países, cada um com a fonte e a frase que liga o corte à tecnologia — mais 5 casos portugueses, acrescentados a partir da imprensa nacional.

Do Oracle à Amazon, do Barclays à Meta, o padrão repete-se em três formas: a automação faz o trabalho, os cortes financiam o investimento em IA, ou a IA destrói a procura pelo produto que a empresa vendia. O tracker original soma 165.614 postos — e admite que é um piso, porque 43 entradas são valores aproximados.

O essencial

postos declarados184 501soma das 102 entradas
empresas96em 17 países
anúncios em tecnologia55de 102 no total
com IA explícita6968% dos anúncios

Quem cortou postos por causa da IA — e onde

102 anúncios, 96 empresas e 17 países em que a inteligência artificial foi citada como razão dos despedimentos — Portugal incluído.

Postos declarados—97 anúncios
Empresas—distintas
Países—com cortes registados
Maior corte——

Escolhe um país no mapa ou uma empresa na tabela

O painel mostra os totais do país, as maiores empresas e o anúncio escolhido.
DataEmpresaPaísIndústriaPostosAtribuiçãoMecanismo

Maiores cortes

Por indústria

Cronologia (postos declarados por trimestre)

O que o mapa mostra

Os EUA concentram quase tudo. São 58 dos 102 anúncios e a maioria absoluta dos postos: Oracle (21 mil declarados), Amazon (16 mil e 14 mil em dois anúncios), Microsoft (9 mil e 6 mil), Meta (8 mil). A Europa aparece sobretudo pela banca — Barclays, HSBC, Standard Chartered, Intesa Sanpaolo, ABN AMRO —, o que diz algo sobre a segunda vaga: a IA já não corta só em software, corta em quem processa papel.

A automação é o mecanismo dominante, com 58 dos 102 anúncios. A realocação para IA — cortar hoje para contratar noutra função amanhã — aparece em 19. Só 2 casos são classificados como destruição de procura: empresas cujo produto perdeu sentido com a IA.

A tecnologia é a indústria mais atingida, com 55 anúncios, seguida de finanças (25). Juntas são 78% de tudo o que está no mapa.

Portugal no mapa: 5 casos e 420 postos

Portugal entra agora com cinco empresas identificadas na imprensa nacional — 420 postos com número conhecido, mais um caso sem contagem divulgada:

  • Critical Software (Coimbra, 27/10) — 200 postos, menos 13% do quadro; termina o ano com cerca de 1.300 pessoas. É o caso português com ligação explícita à IA: o CEO fala de 'um antes e depois da inteligência artificial' (Público).
  • Blip (Porto, 22/10) — despedimento coletivo com pelo menos 84 trabalhadores, 72 horas para negociar saídas (devs.com.pt).
  • Daimler Truck (Lisboa, 09/09) — fecha o centro tecnológico tb.lx, aberto em 2018, com efeitos a 31 de março de 2027; 100 pessoas afetadas (Observador).
  • Defined.ai (Lisboa, 30/07) — reestruturação global de 30% dos cerca de 120 trabalhadores; Portugal, com o centro de I&D, foi dos mais atingidos (ECO). Equivale a cerca de 36 postos.
  • Pipedrive (Lisboa, 29/10) — reestruturação global que reduz equipas, níveis e localizações; o escritório de Lisboa é afetado, mas a empresa não divulgou números (Observador).

O retrato mais largo vem do tracker da Teamlyzer: 297 rondas de despedimentos em 2026 em empresas com presença em Portugal, num total de 1.061 desde fevereiro de 2022 e 526 empresas afetadas. No 1.º trimestre foram 65 rondas, 52% em tecnológicas — Nokia, Dell, Oracle e Amazon entre os maiores cortes.

As notícias desta semana

  • 29/10 — Critical Software corta 200 e aponta a IA como causa da redução de 13% do quadro (Público, Expresso, Jornal de Negócios).
  • 29/10 — Pipedrive inicia reestruturação que afeta Portugal; o CEO fala da 'maior mudança estrutural na história da empresa' (Observador).
  • 22/10 — Blip abre despedimento coletivo no Porto com pelo menos 84 trabalhadores (devs.com.pt).
  • 22/10 — Barclays corta 5.000 postos até ao fim do ano, cerca de 1.000 já saíram; a IA em funções de programação torna os cortes possíveis (Handelsblatt).
  • 09/09 — Daimler Truck fecha o hub de Lisboa e dispensa 100 pessoas (Observador, ECO).

Metodologia: 97 anúncios do AI Layoff Tracker (ailayofftracker.com). descarregados em 31/10/2026. mais 5 casos portugueses acrescentados a partir de Público. Observador. ECO e devs.com.pt. O total de 165.614 é o do tracker; a soma das entradas mostradas na tabela é 184.501. As entradas sem número (Pipedrive e outras) contam para os anúncios, não para os totais de postos. Os cortes são de empresas e datas de anúncio, não de postos de trabalho em Portugal. Filtros e mapa recalculam sobre os registos visíveis.