Habitação no centro, Putin pronto a negociar
Partilhar
A quinta noite de protesto no Rossio terminou sem pernoita e com novos protestos marcados para sábado em Lisboa e no Porto, no dia em que PS e BE exigiram responsabilidades ao presidente do IHRU. No mundo, Putin diz que Moscovo está pronto para um acordo final e não para uma trégua curta, enquanto as limitações da Starlink paralisam drones ucranianos.
O dia em cinco pontos
A habitação voltou a ser o eixo do dia político português: a acampada no Rossio decidiu não pernoitar pela primeira vez em cinco noites, marcou novas manifestações para sábado e as declarações do presidente do IHRU sobre o "sacrifício" dos jovens colocaram PS e BE a pedir responsabilidades. No plano externo, Vladimir Putin afirmou que a Rússia está disponível para negociar um acordo final, mas não uma pausa curta nos combates, e as restrições impostas à Starlink paralisaram parte das operações ucranianas com drones.
- Habitação: protestos marcados para sábado em Lisboa e no Porto; esta sexta-feira há vigília em Marvila contra um despejo.
- IHRU: PS fala de "afirmações jocosas" e o BE exige a demissão de Benjamim Pereira.
- Natalidade: um relatório da REPLAN aponta o custo e a escassez de casa como barreira à formação de famílias.
- Ucrânia: Putin rejeita congelar a linha da frente e mantém a exigência sobre o Donbass.
- Economia: o lucro da Navigator cai 44,8% até setembro e a empresa pede mecanismos de apoio face aos custos da energia.
Quatro números do dia
Rossio: cinco noites, nenhuma pernoita
A assembleia popular que se mantém no Rossio, em Lisboa, decidiu não pernoitar ao relento na madrugada desta sexta-feira, depois de a PSP ter autorizado que os manifestantes dormissem na praça desde que o protesto terminasse à meia-noite e meia e não fossem montadas tendas. A desmobilização começou por volta das 21h40 e, a partir da 00h30, a música foi desligada, como a polícia tinha exigido.
O movimento marcou novas iniciativas: no sábado, a concentração no Porto está prevista para as 16h00 na Praça da Batalha, enquanto em Lisboa o protesto parte da rotunda do Marquês de Pombal e deverá chegar ao Rossio pelas 19h00. Esta sexta-feira, a acampada desloca-se a Marvila para uma vigília contra o despejo de uma jovem mãe e viúva, com dois filhos de quatro e dois anos, que vivia numa habitação municipal no Bairro do Condado.
Há manifestantes detidos no Rossio e o Ministério Público deverá decidir na próxima terça-feira sobre o processo de cada um. O comércio em volta da praça diz não ter sentido quebra de movimento e a Procuradoria-Geral da República afirmou que todas as opções estão a ser estudadas.
IHRU: o "sacrifício" que caiu mal
O presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), Benjamim Pereira, disse em Vila Nova de Gaia não saber "se a sociedade actual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa", recordando que os seus avós emigraram para o conseguir.
O PS classificou as declarações como "afirmações jocosas" e "intoleráveis" para um dirigente público, pela voz do deputado Luís Testa. O BE foi mais longe: Fabian Figueiredo exigiu a demissão de Benjamim Pereira e requereu a sua audição urgente no Parlamento, sustentando que "há uma geração em Portugal que não precisa de lições de sacrifício".
O bloquista apoia-se em dados do Eurostat e do INE: os jovens portugueses saíram de casa dos pais, em média, aos 28,8 anos em 2025, dois anos e meio depois da média europeia, os preços da habitação subiram 16,5% no segundo trimestre de 2026 e a renda mediana dos novos contratos de arrendamento aumentou 10,2% num ano, para 17,79 euros por metro quadrado no concelho de Lisboa. Por lei, o IHRU tem por missão garantir a concretização, coordenação e monitorização da política nacional de habitação.
Eu não sei se a sociedade actual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa.
Sem casa não há filhos: o que diz o relatório
O relatório "Portugal em Perspetiva", da Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública (REPLAN), identifica o custo e a escassez de habitação como barreiras relevantes para os jovens adultos que procuram autonomizar-se e constituir família. A taxa de fecundidade subiu de 1,21 filhos por mulher em 2013 para cerca de 1,52 em 2025, mas continua longe dos 2,1 necessários para travar o declínio demográfico.
O retrato demográfico acompanha o habitacional. Entre os 15 e os 29 anos, 21,4% vivem em habitações sobrelotadas, contra 12,7% no conjunto da população, e a idade média da mãe ao nascimento do primeiro filho foi de 30,7 anos em 2025, mais 0,5 anos do que em 2015. Em 2025 foram licenciados 48 844 fogos, o valor mais alto desde 2011, mas apenas 30 425 ficaram concluídos, num país onde o Banco de Portugal estima que faltem cerca de 300 mil casas.
A REPLAN ressalva que a habitação não atua isoladamente: junta-se à precariedade laboral, à dificuldade de conciliar vida profissional e familiar e à distribuição desigual das responsabilidades de cuidado. Entre as respostas que propõe estão políticas que reforcem a segurança económica dos jovens e reduzam os constrangimentos no acesso à casa.
Putin: acordo final, não trégua curta
Vladimir Putin afirmou à televisão estatal russa que a Rússia está pronta para retomar negociações tripartidas com a Ucrânia e os Estados Unidos, mas para alcançar um acordo de paz definitivo e não um cessar-fogo "curto". Segundo o presidente russo, as conversações deverão tratar das garantias de segurança para os dois países "no âmbito de um acordo final" e incluir a "arquitetura de segurança europeia" — tema que, disse, lhe foi levantado pelo emissário da Casa Branca, Steve Witkoff, com quem se reuniu na quarta-feira em São Petersburgo.
Putin rejeitou a proposta de Volodymyr Zelensky de congelar a atual linha da frente no Donbass em troca do início de negociações diretas, argumentando que "historicamente, é território russo" e invocando os referendos de 2022 em partes de Donetsk e Lugansk sob ocupação russa, que não foram reconhecidos internacionalmente. Zelensky tem defendido que a Ucrânia não pode abdicar de Sloviansk e Kramatorsk, em Donetsk. O conflito aproxima-se do quinto aniversário sem avanços significativos no terreno há vários anos.
Starlink e os drones parados
A imposição de limites de velocidade nos terminais Starlink nas linhas da frente ucranianas, feita sem aviso prévio no início da semana, paralisou operações críticas com drones de médio alcance, segundo o Público. Militares no terreno compararam a situação a um "ataque nuclear".
Em Kiev, responsáveis governamentais e conselheiros de defesa interpretam o corte como um instrumento deliberado de pressão da Administração de Donald Trump — novamente próxima de Elon Musk — para forçar a Ucrânia a ceder a um acordo de paz com a Rússia. O jornal descreve a medida como uma forma de "coacção espacial" sobre um exército que depende de comunicações por satélite para coordenar artilharia, reconhecimento e evacuações.
Sismo de magnitude 7,0 no Tibete
Um sismo de magnitude 7,0 na escala de Richter atingiu esta quinta-feira o Tibete e provocou vítimas, segundo a agência chinesa Xinhua, que não divulgou números. O epicentro situou-se numa zona montanhosa a cerca de 190 quilómetros a leste de Nagchu e a 390 quilómetros a nordeste de Lhasa, no cantão de Maru, distrito de Baqen, com hipocentro estimado a 18 quilómetros de profundidade pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos.
O USGS registou duas réplicas, de magnitude 5,2 e 5, e a Administração Sismológica da China ativou o Nível II de resposta nacional de emergência, o segundo mais grave numa escala de quatro. Foram registados desabamentos de casas e perturbações na eletricidade e nas telecomunicações na sede do distrito, com equipas enviadas para coordenar a resposta e verificar as aldeias vizinhas. Em janeiro de 2025, pelo menos 126 pessoas morreram num sismo de magnitude 6,8 no cantão de Tingri, não muito longe da fronteira com o Nepal.
Navigator: menos 44,8% de lucro e um pedido de apoio
A The Navigator Company fechou os primeiros nove meses do ano com um lucro de 65,4 milhões de euros, menos 44,8% do que os 118,3 milhões de igual período de 2025. O EBITDA caiu para 212 milhões de euros (margem de 16%), contra 300 milhões, e o volume de negócios recuou 10,5%, para 1 333 milhões de euros.
A empresa atribui o resultado ao aumento dos custos de energia e logística: entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, os preços de mercado do gás natural mais do que triplicaram e os da eletricidade mais do que duplicaram. No comunicado à CMVM, a papeleira argumenta que "os mecanismos de apoio utilizados noutros países europeus evidenciam o papel que estes instrumentos podem desempenhar na preservação da atividade industrial" e defende a sua aplicação em condições comparáveis no espaço europeu.
A dívida líquida situava-se em 765 milhões de euros no final de setembro, com um rácio dívida líquida remunerada/EBITDA de 2,66, e o investimento ascendeu a 174 milhões de euros. Tissue e Packaging representam mais de 30% do volume de negócios e cerca de um terço do EBITDA; as vendas fora de Portugal valem 79% do total. A empresa diz que os indicadores do terceiro trimestre reforçam "perspetivas favoráveis" para os próximos meses.
Navigator em nove meses
| Indicador | 2026 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido (M€) | 65,4 | 118,3 | -44,8% |
| EBITDA (M€) | 212 | 300 | -29,3% |
| Volume de negócios (M€) | 1 333 | 1 489,3 | -10,5% |
| Dívida líquida (M€) | 765 | — | — |
Nota de método: este artigo resume notícias publicadas por RTP, Público, ECO, Jornal Económico, Jornal de Negócios e Notícias ao Minuto nas últimas 48 horas, com os números tal como foram divulgados por essas redações e pelas entidades citadas. Não é análise financeira nem recomendação de investimento.
Fontes
- Manifestantes aprovam novos protestos para sábado em Lisboa e no Porto
- PS e BE condenam declarações de presidente do IHRU sobre o "sacrifício" dos jovens
- Dificuldade em ter casa é um dos maiores travões à natalidade
- Putin diz que Rússia está pronta para negociar acordo final e não trégua "curta"
- Apagão da Starlink cega tropas ucranianas e pressiona Kiev a negociar trégua com Moscovo
- Sismo de magnitude 7 provoca vítimas e derruba casas no Tibete
- Quebra na procura e maiores custos de energia voltam a travar lucros da Navigator
- Lucros da Navigator emagrecem quase 45% no final do 3.º trimestre
Hashtags do dia
#Habitação · #Portugal · #Ucrânia · #Rússia · #Energia · #Navigator · #Economia · #Atualidade
Nós sabemos e tu?
O IQ OS cruza notícias com contratos públicos, empresas e autarquias. Os dados que estão por trás das manchetes.