Habitação na rua, trotinetes suspensas e Putin a negociar: o dia em sete pontos
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A assembleia do Rossio votou pernoitar sem tendas e a PSP avisou que a concentração não é permitida. Lisboa aprovou suspender as trotinetes partilhadas, o crédito à habitação voltou ao valor mais alto de um ano e Putin aceitou retomar negociações trilaterais depois de 10 de novembro.
O dia em sete pontos
1. Rossio. A assembleia popular do acampamento de Lisboa votou pernoitar na praça sem tendas, apesar dos avisos da PSP, que às 00h30 fechava o prazo para retirar as estruturas.
2. Trotinetes. A Câmara de Lisboa aprovou a suspensão das trotinetes partilhadas, com os votos contra do Livre e da IL, para aplicar no prazo de 60 dias.
3. Crédito à habitação. A taxa de juro implícita subiu em setembro para 3,194%, o valor mais alto num ano e a quarta subida mensal consecutiva (INE).
4. Ucrânia. Putin aceitou "em princípio" retomar as negociações trilaterais com Kiev e Washington, depois de 10 de novembro.
5. Vaticano. Os exames definitivos confirmam que o cancro do Papa Leão XIV estava localizado: não precisa de terapêutica adicional.
6. Aviação. A Ryanair prevê bilhetes 10% a 20% mais caros em 2027 e fala do "maior aumento da história" na Europa.
7. TAP. Os trabalhadores acolheram bem a escolha da Lufthansa, mas deixaram alertas, noticiou o Expresso.
Quatro números do dia
Rossio: a assembleia decidiu ficar
A votação foi feita às 00h45, com três propostas em cima da mesa: desmontar as tendas e desmobilizar, desmontar e dormir na rua de forma organizada, ou manter as tendas e fazer um cordão em volta. Ganhou a segunda, com 338 votos.
A PSP tinha avisado que, de acordo com a lei, não são permitidas reuniões ou concentrações naquele local e que as 00h30 eram a hora limite para a remoção das tendas. Alguns manifestantes começaram a desmontar estruturas depois do aviso.
No mesmo dia, o líder do PS acusou a AD e o Chega de tentarem reduzir os protestos pela habitação a "ações de extrema-esquerda". José Luís Carneiro falava na Comissão Política Nacional do PS, que está a discutir o Orçamento do Estado para 2027.
Lisboa: trotinetes suspensas, com duas vozes contra
A proposta foi subscrita pelo vereador da Mobilidade, Gonçalo Reis (PSD), e acolheu contributos do PCP e do BE para um regulamento de mobilidade suave. A deliberação fixa um prazo de 60 dias para suspender o sistema, que deve ser implementado antes do final do ano.
Votaram contra os dois vereadores da Iniciativa Liberal — parceira da coligação que governa a cidade — e a vereação do Livre. A IL justificou que a medida "não demonstra que a suspensão da atividade seja necessária" nem que tenham sido esgotadas soluções menos restritivas.
Nota de rigor: o Expresso titulou o "fim do sistema"; a deliberação camarária, tal como descrita pelo JN, é uma suspensão com prazo. As duas coisas não são a mesma.
Crédito à habitação: o quarto mês seguido a subir
A taxa de juro implícita para a totalidade dos contratos de crédito à habitação subiu em setembro para 3,194%, atingindo o valor mais alto num ano, segundo o INE. É a quarta subida mensal consecutiva.
O indicador é uma média do stock de contratos, não a taxa de uma nova operação: sobe devagar e com atraso em relação ao mercado. Ainda assim, marca a inversão do alívio que se tinha visto nos meses anteriores.
Ucrânia: Putin aceita negociar, com data e condições
O Presidente russo aceitou "em princípio" retomar as negociações trilaterais com Washington e Kiev, mas só depois de 10 de novembro. O anúncio foi feito por Yuri Ushakov, conselheiro de política externa do Kremlin, após um encontro de cerca de três horas em São Petersburgo entre Putin e Steve Witkoff, enviado de Donald Trump.
O objectivo declarado é a "criação de um sistema de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim do conflito". Zelensky disse que é necessária uma pausa na frente de batalha como ponto de partida e que qualquer negociação de paz tem de incluir a Ucrânia. O presidente finlandês, Alexander Stubb, classificou a reunião de Oslo como um "progresso real".
Moscovo e Kiev continuam a divergir sobre os termos do acordo, e os combates prosseguem.
Papa Leão XIV: sem terapêutica adicional
Os exames histológicos definitivos e os estudos de biologia molecular sobre o tecido removido na cirurgia de 13 de outubro confirmaram que a doença estava localizada. A equipa médica descartou "qualquer terapêutica adicional".
A operação no hospital Gemelli incluiu a ablação do lobo inferior do pulmão direito. No mesmo dia em que o boletim foi divulgado, o Papa retomou as audiências gerais na Praça de São Pedro, ao ar livre, saudando os fiéis durante 15 minutos a bordo do papamóvel.
Ryanair: "o maior aumento da história" nas tarifas
Michael O'Leary, CEO da Ryanair, antecipa bilhetes 10% a 20% mais caros no próximo ano e falou, em Bruxelas, do "maior aumento das tarifas aéreas da história" na Europa nos próximos 12 meses.
Os dois factores apontados são o preço do combustível de aviação, pressionado pela guerra no Irão, e a redução da oferta de lugares. As companhias que não fixaram antecipadamente parte do combustível — o hedging — ficam mais expostas.
Nota de método: este é um resumo de notícias publicadas entre 20 e 22 de outubro de 2026, com as fontes indicadas abaixo. Os valores são os que cada órgão divulgou na peça consultada; as manchetes citadas entre aspas são dos próprios jornais. Não é análise financeira nem recomendação de investimento.
Fontes
- Manifestantes decidiram pernoitar no Rossio apesar dos alertas da PSP
- Câmara de Lisboa aprova suspensão das trotinetas partilhadas com votos contra de Livre e IL
- Taxa de juro no crédito à habitação sobe em setembro para valor mais alto num ano
- Putin aceita retomar negociações trilaterais com Kiev e Washington
- Papa não vai necessitar de mais tratamentos depois da cirurgia ao tumor
- Vaticano: Papa sem necessidade de «qualquer terapêutica adicional», após operação ao pulmão
- "O maior aumento da história na Europa". Ryanair antecipa subida histórica dos preços dos bilhetes
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