Habitação domina o dia: 25 mil em Lisboa, casas 18,4% mais caras

Sabemos Studio25/10/20269 min de leituraAnálises

A Acampada estimou 25 mil pessoas na marcha pela habitação em Lisboa e milhares voltaram à rua no Porto, no fim de semana em que o INE mostrou o preço mediano das casas 18,4% acima do ano anterior. Na Europa, os protestos contra o custo de vida deixaram quase mil detidos em França, e o Brasil decide hoje a segunda volta entre Lula e Flávio Bolsonaro.

O último fim de semana de outubro foi dominado pela habitação. Em Lisboa, a organização da Acampada estimou 25 mil pessoas na marcha entre o Marquês de Pombal e o Rossio; no Porto, milhares desceram da Praça da Batalha à Praça D. João I; houve concentrações em Coimbra, Faro e Aveiro. No sábado, o Público escrevia que os preços subiram mais de 20% em quase metade dos municípios, com base nos dados do INE divulgados na sexta-feira.

O dia em sete pontos

  • Lisboa: 25 mil manifestantes segundo a organização; a PSP recusa o número e fala em «milhares»
  • Porto: assembleia popular aprovou voltar a montar tendas na Praça D. João I
  • Casas: preço mediano de 2 445 euros por metro quadrado no 2.º trimestre, mais 18,4% em termos homólogos
  • Governo: Miranda Sarmento diz no Parlamento que na habitação «foi praticamente tudo feito»
  • Bombeiros: ciberataque copiou dados pessoais de cerca de 60 mil inscritos no recenseamento nacional
  • Europa: quase mil detidos em França num dia de protestos contra o custo de vida; Itália e Albânia também na rua
  • Brasil: segunda volta das presidenciais entre Lula e Flávio Bolsonaro, depois de um primeiro turno separado por 1,9 pontos

O dia em quatro números

em Lisboa25 000estimativa da Acampada; a PSP considera o número «manifestamente alto»
casas mais caras18,4%preço mediano por m² no 2.º trimestre, face a igual período de 2025
em França410 000balanço do Ministério do Interior; a CGT contabiliza 800 mil
bombeiros60 000registos na base RNBP atingida pelo ciberataque, segundo a Lusa

Portugal: a habitação encheu a Avenida da Liberdade

A marcha de Lisboa arrancou às 15h no Marquês de Pombal e desceu a Avenida da Liberdade até ao Rossio, encabeçada por uma faixa que apelava a uma greve geral pela habitação. À chegada, começaram a ser montadas tendas, como estava previsto no programa; a PSP disse à Lusa que não permitiria que ficassem na praça durante a noite. No Porto, a assembleia popular na Praça D. João I votou a favor de voltar a erguer tendas para pernoitar. Em Coimbra juntaram-se cerca de 200 pessoas na Praça 8 de Maio, em Faro cerca de uma centena e em Aveiro os participantes debateram um caderno reivindicativo.

As exigências repetidas pelos movimentos Acampada são a reversão da lei do arrendamento, o fim dos despejos de pessoas sem alternativa habitacional, um travão à compra de imóveis por fundos imobiliários, a recuperação de prédios devolutos e um teto para as rendas. Na manifestação de Lisboa marcaram presença dirigentes do Livre, do PCP e do Bloco de Esquerda.

Os protestos começaram no Porto a 10 de outubro e alargaram-se a Lisboa. A 15 de outubro, o movimento no Porto denunciou uma carga policial de madrugada que provocou ferimentos em 39 participantes, dois dos quais em estado grave, e num polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz no dia 27. A Acampada de Lisboa convocou nova concentração para terça-feira, 27, às 18h30, junto à Assembleia da República — o dia em que começa a discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2027.

Governo: «praticamente tudo feito», diz o ministro das Finanças

Na sexta-feira, na audição parlamentar de apreciação na generalidade do Orçamento do Estado para 2027, Joaquim Miranda Sarmento repetiu que o Governo já tomou «muitas medidas» para responder à crise da habitação: «Já colocámos muitas medidas na questão da habitação, mas é um problema que demora tempo, porque, obviamente, construir casas demora tempo, colocá-las no mercado demora tempo.» A frase que gerou a troca de argumentos com o Chega foi outra — «o que podia ser feito foi praticamente tudo feito» — e o ministro insistiu que falta «só a lei do arrendamento, que está no parlamento».

O OE2027 prevê 1 513 milhões de euros para promoção e reabilitação de habitação. A lei do arrendamento foi aprovada na generalidade e está em discussão na especialidade, e é precisamente aí que a oposição promete concentrar as propostas sobre habitação.

Economia: casas a subir, gasóleo outra vez acima da gasolina

Os números do INE sobre preços da habitação ao nível local, divulgados na sexta-feira, mostram um preço mediano de 2 445 euros por metro quadrado no 2.º trimestre de 2026, mais 18,4% do que um ano antes — uma ligeira desaceleração face aos 19,8% do trimestre anterior. Foram transacionados 37 854 alojamentos, menos 9,0% em termos homólogos. Os preços mais altos continuam em Lisboa (5 299 euros/m²), Cascais (5 200) e Oeiras (4 704); as sub-regiões com maiores aumentos foram o Médio Tejo (25,4%) e o Oeste (24,0%). A subida acelerou em 10 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, com Loures (mais 9,7 pontos percentuais) e Matosinhos (mais 9,5) à frente, e desacelerou em Lisboa (menos 8,9 pontos) e no Porto (menos 5,4).

Nos combustíveis, as previsões do ACP apontavam para uma descida de oito cêntimos por litro na gasolina 95, para 2,015 euros, e uma subida de um cêntimo no gasóleo, para 2,185 euros, a partir de segunda-feira, 26. O aumento de um cêntimo no ISP, publicado ao final de sexta-feira, atenua a descida da gasolina. O Brent esteve nos 117 dólares por barril, o valor mais alto desde abril, num contexto de guerra no Irão, de tensão no Médio Oriente e de encerramento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio de petróleo e gás.

Nos aeroportos, a ANAC concluiu o concurso de assistência em escala e atribuiu à SPdH/Menzies Aviation as licenças de sete anos para bagagem e operações em pista em Lisboa, Porto e Faro, e para carga e correio em Lisboa e Porto. O consórcio Clece/South tinha ganho o concurso lançado em 2024, mas não cumpriu os requisitos legais; a Menzies comprou 50,1% da SPdH em 2024 e os restantes 49,9% à TAP em junho deste ano, por um euro.

Os protestos de sábado, país a país

PaísParticipantesDetidos
França410 mil (Ministério do Interior); 800 mil (CGT)quase 1 000
Itáliamilhares em Roma, Milão, Turim, Nápoles, Bolonha e Florença9 detidos, mais de 370 retidos
Portugal25 mil em Lisboa, segundo a organizaçãoPSP não confirma o número
Albânia12.º dia de protestos em Tirananão divulgado

Mundo: de Paris a Tirana, uma vaga de protestos

Em França, o Ministério do Interior contabilizou 410 mil manifestantes em 289 marchas e «quase mil» detidos, contra as 385 detenções do sábado anterior; a CGT fala em 800 mil pessoas em todo o país e 250 mil em Paris, onde o Governo confirma 110 mil. Foram mobilizados cerca de 70 mil agentes. Apesar de a maioria das marchas ter decorrido sem incidentes, no fim do dia houve gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar grupos de jovens, e duas pessoas ficaram gravemente feridas, em Toulouse e em Clermont-Ferrand.

Em Itália, houve protestos em Roma, Milão, Turim, Nápoles, Bolonha e Florença contra o custo de vida, os preços da habitação e as despesas militares: nove detidos e mais de 370 pessoas retidas, entre as quais 110 menores. Na Albânia, os protestos em Tirana entraram no 12.º dia, com exigência de demissão do primeiro-ministro Edi Rama e mais de dois mil polícias mobilizados. Também houve manifestações em Espanha e na Bélgica. O movimento francês começou em setembro, em escolas do secundário, contra a falta de professores e as condições dos edifícios, e alargou-se depois ao custo de vida e aos salários.

Ucrânia: acordo final sim, congelar a frente não

Vladimir Putin disse estar pronto para retomar negociações tripartidas com a Ucrânia e os Estados Unidos, mas para um acordo de paz definitivo e não para «uma breve pausa nos combates». Moscovo rejeitou a proposta de Volodymyr Zelensky de congelar a linha da frente no Donbass em troca do início de conversações diretas, e o Presidente russo voltou a afirmar que Donetsk e Lugansk são território russo. A declaração surgiu depois de uma visita de Steve Witkoff, emissário da Casa Branca, e Putin admitiu discutir também a arquitetura de segurança europeia.

Zelensky argumentou que a Ucrânia não pode abdicar de Sloviansk e Kramatorsk, porque isso abriria caminho à Rússia até à província de Dnipro, e estimou que Moscovo controla 18% a 19% do território ucraniano. A frente estende-se por cerca de mil quilómetros.

A minha posição a este respeito é que este não é território deles; historicamente, é território russo.
— Vladimir Putin, sobre o Donbass, 22 de outubro de 2026

Brasil: decide-se hoje a segunda volta

O Brasil vota este domingo na segunda volta das presidenciais, entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No primeiro turno, a 4 de outubro, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos (56 104 268) e Lula 45,16% (53 876 617), uma diferença de 1,9 pontos percentuais que obrigou à segunda volta. As urnas fecham às 17h de Brasília, 20h em Lisboa, e quem ganhar toma posse a 5 de janeiro de 2027, à frente de uma economia e de uma população de 214 milhões de pessoas. Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro por cerca de 2,1 milhões de votos.

Nota de método: este resumo foi escrito a partir das notícias citadas nas fontes, com os números tal como cada órgão os divulgou. As contagens de manifestantes variam entre organizações, polícias e ministérios e são apresentadas com a indicação da fonte. Não é análise financeira nem recomendação de investimento.

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