Cracóvia, pensões a 3,3% e a Madeira sem voos

Sabemos Studio08/11/202615 min de leituraAnálises

A Polónia procura explicações para o ataque de Cracóvia, que fez seis mortos na praça do mercado e deixou três corpos em casa do atirador. O Governo estima uma subida de 3,3% nas pensões em 2027 e a depressão Bruna cancelou mais de 40 voos na Madeira. Em Israel, Gadi Eisenkot foi mandatado para formar Governo; no Paraguai, o Senado destituiu Santiago Peña.

Um sábado de violência na Polónia, uma estimativa que mexe com o rendimento de milhões de pensionistas e uma tempestade que fechou o aeroporto da Madeira. A isto somam-se dois processos políticos que podem mudar governos: em Israel, o Presidente mandatou o líder da oposição para formar executivo; no Paraguai, o Senado destituiu o presidente depois do colapso do Ueno Bank.

Sete histórias, os números que as explicam e a ligação às fontes originais.

O dia em seis números

mortos em Cracóvia9seis na praça, três em casa do atirador
feridos no ataque15inclui uma portuguesa de 74 anos
voos cancelados42Aeroporto da Madeira, sábado
pensões em 20273,3%90% das reformas, acima da inflação
votos no Senado44destituição de Santiago Peña
corte na Uber10%meta global anunciada em setembro

Cracóvia: seis mortos na praça e três em casa do atirador

Um homem de 25 anos entrou de carro na Praça do Mercado Principal de Cracóvia pouco depois das 15h00 locais de sábado e disparou indiscriminadamente contra quem ali se encontrava. O balanço das autoridades polacas é de seis mortos — quatro mulheres e dois homens, entre eles um cidadão britânico — e 15 feridos, incluindo dois polícias. Horas mais tarde, o primeiro-ministro Donald Tusk confirmou que foram encontrados três corpos na casa do suspeito: duas mulheres e um homem, provavelmente familiares diretos do agressor.

É neste ponto que as contagens divergem. O Público fala de nove mortos no ataque; a RTP e a dnoticias mantêm separados os seis mortos da praça e os três corpos encontrados na residência. As autoridades ainda tentam esclarecer em que circunstâncias morreram e se as mortes estão ligadas ao ataque.

O suspeito, que vestia roupa de estilo militar e colete à prova de balas, disparou a partir do veículo e atingiu também um elétrico, cuja cabine ficou com um vidro partido mas sem feridos. Foi intercetado depois de uma troca de tiros com a polícia e está hospitalizado. No carro foram encontradas outras armas e uma grande quantidade de munições. O ministro do Interior, Marcin Kierwiński, descreveu-o como alguém com posições "muito radicais" e "ultranacionalistas"; Tusk classificou o ataque como ato de terrorismo. A Polónia decretou dois dias de luto nacional, domingo e segunda-feira, e Varsóvia reforçou a segurança no centro histórico.

Entre os feridos está uma cidadã portuguesa de 74 anos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros indicou que foi operada e está livre de perigo; a CNN Portugal escreve que está nos cuidados intensivos, depois de ter sido baleada nas costas. As duas informações não coincidem.

Agente da polícia polaca a levantar fita de interdição junto a um carro da polícia, à noite
Polícia polaca a isolar a zona do ataque, em Cracóvia. Foto: RTP

Israel: Eisenkot tem 42 dias para formar Governo

O Presidente israelita, Isaac Herzog, convidou Gadi Eisenkot, líder do partido centrista Yashar! e antigo chefe das Forças de Defesa de Israel, para formar Governo. A cerimónia está marcada para domingo às 17h00 na residência presidencial. Eisenkot terá 42 dias para apresentar uma proposta de executivo e já falou num governo de "urgência nacional": "Farei tudo para que estejamos à altura."

A aritmética é difícil. O Likud de Benjamin Netanyahu foi o mais votado nas eleições de 27 de outubro, mas a coligação ficou-se pelos 53 lugares — insuficiente para governar. O bloco de Eisenkot também não tem maioria: recebeu o apoio dos partidos árabes Lista Unificada e Raam, que elegeram 19 deputados, e não afastou uma aliança com as formações ultraortodoxas. Netanyahu avisou que um governo entre o bloco da oposição e os partidos árabes levaria ao "colapso do Estado de Israel".

Se Eisenkot falhar, Herzog pode convidar o primeiro-ministro cessante a tentar a sua sorte. Ao fim de 100 dias sem solução, o país volta a eleições.

Gadi Eisenkot, de fato e gravata, junto a bandeiras de Israel
Gadi Eisenkot, líder do Yashar!. Foto: Diário de Notícias

Paraguai: Senado destitui Peña e a justiça prende-o em casa

O Senado do Paraguai destituiu Santiago Peña por "mau desempenho das funções", com 44 votos favoráveis, num processo realizado na ausência do presidente. É a segunda destituição na história recente do país, depois de Fernando Lugo (2008-2012). Peña, de 47 anos, perde o lugar de senador vitalício que a Constituição reserva aos antigos presidentes — o artigo 189.º exclui precisamente os que foram destituídos e considerados culpados.

Na origem da crise está o Ueno Bank. O Banco Central ordenou a aplicação de um procedimento de resolução à instituição, que tinha 2,9 milhões de clientes num país de 6,1 milhões de habitantes e recebeu avultados recursos de entidades públicas durante o mandato de Peña. Milhares de aforradores denunciaram não ter acesso às poupanças, entre eles 32 mil reformados do Instituto de Previdência Social. Os deputados que acusaram o presidente falam do desaparecimento de cerca de 1.200 milhões de dólares "do povo paraguaio" e classificaram-no como "o maior desfalque da história".

O Ministério Público emitiu um mandado de detenção por "quebra de confiança" contra Peña e contra o antigo presidente do Banco Central Carlos Carvallo Spalding. O ex-presidente está em prisão domiciliária.

Santiago Peña a assinar documentos numa mesa de madeira
Santiago Peña, destituído pelo Senado paraguaio. Foto: Laura Fioravanti/AP via CNN Portugal

Madeira: mais de 40 voos cancelados e uma semana de chuva

A depressão Bruna obrigou ao cancelamento de pelo menos 42 voos no Aeroporto Internacional da Madeira este sábado, segundo a RTP. Ao início da tarde, o balanço da dnoticias era de 37 — 20 chegadas e 17 partidas —, mais 21 do que o anterior, e as ligações afetadas incluíam Porto, Lisboa, Londres, Manchester, Marselha, Paris, Lyon, Basileia, Poznan e Bristol. TAP, easyJet, Transavia, British Airways, Ryanair, Jet2 e Enter Air estão entre as companhias com operações canceladas.

O IPMA prevê chuva persistente e por vezes forte entre sábado e domingo, rajadas até 100 km/h nas zonas baixas e 130 km/h nas terras altas, e ondas de 3,5 a 4,5 metros na costa sul da ilha. A Proteção Civil alertou para risco de inundações, cheias, deslizamentos de terras e acidentes junto ao mar, e pediu que não se atravessem zonas inundadas nem se desenvolvam atividades junto a linhas de água.

A depressão, centrada a norte dos Açores, vai afetar Portugal continental, a Madeira e os Açores a partir de domingo e até ao próximo dia 13, com chuva, vento forte e agitação marítima.

Avião da Eurowings no aeroporto da Madeira, ao anoitecer, com veículos de assistência em terra
Um avião no Aeroporto da Madeira, este sábado, dia de cancelamentos. Foto: Madeira Runway Spotting/dnoticias

Ver em vídeo: a Madeira sob a depressão Bruna

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Acampada: vigílias silenciosas e o braço de ferro da pista de gelo

Lisboa e o Porto acolheram este sábado vigílias silenciosas convocadas pelo movimento Mães pela Acampada, em protesto contra a violência policial nas manifestações pela habitação. Cerca de 200 pessoas sentaram-se no Rossio, em Lisboa, e no Porto as velas e os cartazes voltaram à Praça D. João I. Os protestos no Porto duram há quase um mês.

O braço de ferro com a Câmara Municipal é agora sobre a pista de gelo: a autarquia quer voltar a instalá-la na Praça D. João I, onde está a acampada, a partir de sexta-feira. Nos últimos anos, a pista foi montada no Largo Amor de Perdição, na Cordoaria. O advogado do movimento Acampada Porto, Ricardo Salazar, diz que Pedro Duarte "pode incorrer num crime de abuso de poder" se terminar a manifestação para colocar ali o equipamento.

O presidente da Câmara de Lisboa determinou a retirada das tendas do Rossio e a Acampada Lisboa planeia um protesto durante a Web Summit. A carta entregue pelos manifestantes ao ministro da Habitação, Miguel Pinto Luz, está em análise; segundo a secretária de Estado da Habitação, parte das reivindicações já foi ou está a ser concretizada. No Parlamento, o Chega pode estar perto de recuar no acordo com o Governo sobre a lei das rendas.

O direito à manifestação é um direito constitucionalmente consagrado e portanto é um direito que se sobrepõe. Não podemos comparar o direito a montar uma pista de gelo ou um mercado de natal a um direito de manifestação.
— Ricardo Salazar, advogado da Acampada Porto, ao Correio da Manhã
Cartaz de cartão com a frase Mãe pela Acampada e dois corações desenhados, erguido durante uma vigília
Vigília das Mães pela Acampada, este sábado. Foto: RTP

Ver em vídeo: a Acampada pela habitação

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Pensões: 3,3% em 2027 para 90% das reformas

A secretária de Estado da Segurança Social, Susana Filipa Lima, disse numa audição parlamentar sobre o Orçamento do Estado para 2027 que, se a inflação se mantiver nos níveis atuais, 90% das reformas sobem 3,3% em janeiro — 0,5 pontos percentuais acima da evolução dos preços. O mesmo valor deverá ser aplicado ao Indexante dos Apoios Sociais (IAS). As pensões intermédias, entre duas e seis vezes o IAS, sobem 2,79%; as restantes, 2,54%.

A atualização resulta apenas do mecanismo previsto na lei, que cruza a média do crescimento real do PIB dos últimos dois anos com a variação média de 12 meses do índice de preços sem habitação. Deverá acrescentar mais de mil milhões de euros de despesa permanente. Os valores finais só serão conhecidos em meados de dezembro, quando o INE publicar os dados da inflação de novembro.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já sinalizou disponibilidade para atribuir novamente um suplemento extraordinário aos pensionistas com rendimentos mais modestos, caso as contas públicas o permitam. Luís Montenegro tem defendido "bónus" pagos uma única vez, em vez de aumentos permanentes, para salvaguardar a sustentabilidade da Segurança Social.

Quanto sobem as pensões em 2027

EscalãoAtualizaçãoFace à inflação
90% das pensões (mais baixas)3,3%+0,5 p.p.
2 a 6 vezes o IAS2,79%em linha
Restantes pensões2,54%abaixo

Uber: despedimento coletivo em Portugal

A Uber confirmou ao ECO que iniciou um processo de despedimento coletivo em Portugal e ainda não revelou quantos trabalhadores serão abrangidos. A operação portuguesa tem cerca de 650 pessoas, segundo o ECO — o Observador fala em cerca de 600 —, num universo global em que o CEO, Dara Khosrowshahi, anunciou em setembro um corte de 10% da força de trabalho.

A empresa justifica a decisão com a necessidade de simplificar a estrutura, eliminar alguns níveis hierárquicos e concentrar investimento nas "maiores oportunidades". "As decisões que estamos a tomar hoje são difíceis, mas vão ajudar-nos a construir uma Uber ainda mais forte nos próximos anos", escreveu o CEO aos trabalhadores.

O processo acontece sem que a empresa tenha indicado, até agora, quantos postos de trabalho em Portugal serão eliminados.

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