2025 contra 2026: mais contratos, menos dinheiro
No mesmo período de cada ano — de 1 de janeiro a 10 de outubro —, 2026 registou 192 941 contratos, contra 173 830 em 2025: mais 11,0% em número. O valor declarado, porém, desceu de 17,41 para 16,36 mil milhões de euros (−6,0%), e o contrato médio caiu de 100 173 € para 84 811 €.
O essencial, em três leituras:
- Mais contratos, menos dinheiro. O Estado celebra mais acordos por valores menores: o contrato médio perde 15,3%.
- A obra pública recua, a farmácia aguenta. As duas maiores classes de construção perdem 57,8% e 74,0% do valor; produtos farmacêuticos ficam praticamente iguais (−1,0%) e lideram os dois anos.
- As empresas trocam de mão. O topo de 2025 é da alta velocidade e da construção; o de 2026 é da farmácia e do equipamento médico, que sobe 89,1%.
Todos os gráficos comparam os dois anos no mesmo eixo, em euros absolutos, e dizem de onde vêm os números.
2025 e 2026 no mesmo período (1 de janeiro a 10 de outubro)
1. Mais contratos, menos dinheiro
Entre 1 de janeiro e 10 de outubro de 2026 registaram-se 192 941 contratos, mais 19 111 do que em igual período de 2025 (173 830) — +11,0%. É o número de acordos, não o dinheiro, que cresce.
O valor declarado caiu 6,0%, de 17,41 para 16,36 mil milhões de euros, e o contrato médio passou de 100 173 € para 84 811 €: menos 15,3% por contrato.
Para contexto, o ano de 2025 fechado soma 246 992 contratos e 23,67 mil milhões de euros — um ritmo de 2,0 mil milhões de euros por mês que 2026 não repete.
O valor declarado, em euros absolutos
Só as duas últimas barras são comparáveis entre si: usam o mesmo intervalo de calendário nos dois anos.
- 2025 — ano completo23,67 mil M€
246 992 contratos em 12 meses
- 2026 — até 10 de outubro16,37 mil M€
192 955 contratos
- 2025 — 1 de janeiro a 10 de outubro17,41 mil M€
173 830 contratos (período comparável)
- 2026 — 1 de janeiro a 10 de outubro16,36 mil M€
192 941 contratos (período comparável)
Base de contratos públicos indexada no Sabemos Studio · leitura a 10/10/2026 · valores declarados pelos adjudicantes no momento da publicação.
2. As áreas de CPV: a obra recua, a farmácia não cede
A maior mudança está na construção. A classe 4523 — obras em condutas, linhas de comunicação e de energia — cai de 3,19 mil M€ para 1,35 mil M€ (−57,8%), e a 4521, obras de construção de edifícios, desce de 2,81 mil M€ para 728,2 M€ (−74,0%). Juntas perdem 3,53 mil milhões de euros de um ano para o outro — mais do que a queda total do valor declarado.
A farmácia é a exceção: produtos farmacêuticos (3360) valem 2 598,2 M€ em 2026 contra 2 625,4 M€ em 2025, uma variação de −1,0% em 25 842 contratos. É a maior classe de CPV nos dois anos e a única do topo que não se mexeu.
Do lado de quem sobe há uma história clara: equipamento médico (3310) ganha 89,1%, de 250,7 para 473,9 M€, em 5 442 contratos. O resto do topo é energia e serviços: eletricidade recua 20,6%, petróleo e destilados 26,4%, mas ambas continuam acima dos 300 M€.
As áreas de CPV que mais valor movem — 2025 contra 2026
As doze classes de CPV com mais valor em 2025 ou 2026, em euros absolutos. A segunda barra é 2026.
- 2025
- 2026
- Obras em condutas, linhas de comunicação e de energia (4523)3,19 mil M€1,35 mil M€
−57,8%
- Obras de construção de edifícios (4521)2,81 mil M€728,2 M€
−74,0%
- Produtos farmacêuticos (3360)2,63 mil M€2,60 mil M€
−1,0%
- Outras obras de acabamento de construção (4545)603,7 M€363,6 M€
−39,8%
- Eliminação e tratamento de resíduos (9051)534,7 M€283,3 M€
−47,0%
- Construção (4500)490,5 M€201,3 M€
−59,0%
- Obras de construção e de engenharia civil (4520)420,0 M€147,6 M€
−64,9%
- Eletricidade (0931)408,2 M€324,2 M€
−20,6%
- Material médico de consumo (3314)371,5 M€296,1 M€
−20,3%
- Petróleo e destilados (0913)347,0 M€255,4 M€
−26,4%
- Medicamentos vários (3369)346,8 M€318,6 M€
−8,1%
- Equipamento médico (3310)250,7 M€473,9 M€
+89,1%
Base de contratos públicos indexada no Sabemos Studio · leitura a 10/10/2026 · valores declarados pelos adjudicantes no momento da publicação.
As doze maiores classes de CPV, em valores absolutos
| CPV | Classe | Contr. 2025 | Valor 2025 | Contr. 2026 | Valor 2026 | Variação |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 4523 | Obras em condutas, linhas de comunicação e de energia | 5208 | 3,19 mil M€ | 2723 | 1,35 mil M€ | −57,8% |
| 4521 | Obras de construção de edifícios | 1764 | 2,81 mil M€ | 867 | 728,2 M€ | −74,0% |
| 3360 | Produtos farmacêuticos | 27684 | 2,63 mil M€ | 25842 | 2,60 mil M€ | −1,0% |
| 4545 | Outras obras de acabamento de construção | 2238 | 603,7 M€ | 1691 | 363,6 M€ | −39,8% |
| 9051 | Eliminação e tratamento de resíduos | 547 | 534,7 M€ | 470 | 283,3 M€ | −47,0% |
| 4500 | Construção | 1653 | 490,5 M€ | 729 | 201,3 M€ | −59,0% |
| 4520 | Obras de construção e de engenharia civil | 773 | 420,0 M€ | 366 | 147,6 M€ | −64,9% |
| 0931 | Eletricidade | 747 | 408,2 M€ | 488 | 324,2 M€ | −20,6% |
| 3314 | Material médico de consumo | 13788 | 371,5 M€ | 9468 | 296,1 M€ | −20,3% |
| 0913 | Petróleo e destilados | 756 | 347,0 M€ | 444 | 255,4 M€ | −26,4% |
| 3369 | Medicamentos vários | 5390 | 346,8 M€ | 3861 | 318,6 M€ | −8,1% |
| 3310 | Equipamento médico | 4981 | 250,7 M€ | 5442 | 473,9 M€ | +89,1% |
3. As empresas: o comboio sai, a farmácia fica
O maior vendedor ao Estado em 2025 não aparece em 2026: a AVAN Norte, que gere a ferrovia de alta velocidade, assinou um contrato de 1,66 mil milhões de euros em 2025 e não voltou a contratar. A Alstom Ferroviária caiu de 746,0 M€ para 10,1 M€ (−98,6%) e a Veolia Portugal, de 270,5 M€ para 4,8 M€ (−98,2%).
O topo de 2026 é outro. A Janssen Cilag passa a ser a maior adjudicatária (235,6 M€), seguida da Roche (205,5 M€) e da Teixeira Duarte (205,4 M€). Entre as que crescem, a Alnypt quase duplica (+76,6%) e a Uniself, da restauração coletiva, sobe 52,2%.
Nem tudo é queda no mundo dos combustíveis: a Petrogal mantém-se entre as cinco primeiras (192,0 M€ em 569 contratos), ainda que 36,3% abaixo de 2025. A Iberdrola é uma das poucas a crescer nos dois anos (+2,2%).
As empresas adjudicatárias que marcaram os dois anos — em euros absolutos
Valor adjudicado a cada empresa, em euros. A segunda barra é 2026; uma barra em falta significa que a empresa não teve contratos nesse ano.
- 2025
- 2026
- AVAN Norte — Gestão da Ferrovia de Alta Velocidade1,66 mil M€
não voltou a contratar
- Alstom Ferroviária Portugal746,0 M€10,1 M€
−98,6%
- Petrogal301,3 M€192,0 M€
−36,3%
- Janssen Cilag Farmacêutica279,6 M€235,6 M€
−15,7%
- Veolia Portugal270,5 M€4,8 M€
−98,2%
- Teixeira Duarte — Engenharia e Construções228,0 M€205,4 M€
−9,9%
- Roche Farmacêutica Química219,7 M€205,5 M€
−6,5%
- Novartis Farma182,7 M€157,4 M€
−13,9%
- MEO — Serviços de Comunicações e Multimédia177,9 M€72,9 M€
−59,0%
- Merck Sharp & Dohme176,5 M€163,2 M€
−7,5%
- Iberdrola Clientes Portugal164,1 M€167,7 M€
+2,2%
- Pfizer (LAB. PFIZER)146,1 M€100,9 M€
−30,9%
- Medtronic Portugal114,9 M€125,0 M€
+8,8%
- Uniself — Restaurantes Públicos e Privados114,7 M€174,5 M€
+52,2%
- Alnypt107,7 M€190,1 M€
+76,6%
Base de contratos públicos indexada no Sabemos Studio · leitura a 10/10/2026 · valores declarados pelos adjudicantes no momento da publicação.
As maiores empresas adjudicatárias, em valores absolutos
| Empresa adjudicatária | Contr. 2025 | Valor 2025 | Contr. 2026 | Valor 2026 | Variação |
|---|---|---|---|---|---|
| AVAN Norte — Gestão da Ferrovia de Alta Velocidade | 1 | 1,66 mil M€ | — | — | não voltou a contratar |
| Alstom Ferroviária Portugal | 1 | 746,0 M€ | 8 | 10,1 M€ | −98,6% |
| Petrogal | 990 | 301,3 M€ | 569 | 192,0 M€ | −36,3% |
| Janssen Cilag Farmacêutica | 806 | 279,6 M€ | 595 | 235,6 M€ | −15,7% |
| Veolia Portugal | 36 | 270,5 M€ | 21 | 4,8 M€ | −98,2% |
| Teixeira Duarte — Engenharia e Construções | 16 | 228,0 M€ | 16 | 205,4 M€ | −9,9% |
| Roche Farmacêutica Química | 722 | 219,7 M€ | 439 | 205,5 M€ | −6,5% |
| Novartis Farma | 730 | 182,7 M€ | 556 | 157,4 M€ | −13,9% |
| MEO — Serviços de Comunicações e Multimédia | 906 | 177,9 M€ | 659 | 72,9 M€ | −59,0% |
| Merck Sharp & Dohme | 504 | 176,5 M€ | 308 | 163,2 M€ | −7,5% |
| Iberdrola Clientes Portugal | 176 | 164,1 M€ | 154 | 167,7 M€ | +2,2% |
| Pfizer (LAB. PFIZER) | 1316 | 146,1 M€ | 858 | 100,9 M€ | −30,9% |
| Medtronic Portugal | 1732 | 114,9 M€ | 1203 | 125,0 M€ | +8,8% |
| Uniself — Restaurantes Públicos e Privados | 127 | 114,7 M€ | 95 | 174,5 M€ | +52,2% |
| Alnypt | 21 | 107,7 M€ | 9 | 190,1 M€ | +76,6% |
4. Quem compra: os mesmos, com menos dinheiro
Do lado de quem compra, a liderança não muda de mãos — muda de escala. A Infraestruturas de Portugal continua a ser o maior comprador nos dois anos, mas cai de 2,18 mil M€ para 1,03 mil M€ (−52,9%); a CP — Comboios de Portugal desce de 837,2 M€ para 117,9 M€ e o Estado Maior da Força Aérea, de 441,1 M€ para 128,5 M€.
A saúde segura o lado de cima da tabela. As unidades locais de saúde e o IPO do Porto ocupam oito das dez primeiras posições, e três crescem: o IPO do Porto (+26,4%), a ULS de Coimbra (+14,8%) e a ULS de Santo António (+12,1%).
É essa a explicação para o topo de CPV de 2026: o país compra menos obras e mais medicamento, mais equipamento médico e mais serviços de saúde — e são os hospitais que puxam a lista.
Os maiores compradores públicos — 2025 contra 2026
Maiores entidades adjudicantes por valor, em euros. A segunda barra é 2026.
- 2025
- 2026
- Infraestruturas de Portugal2,18 mil M€1,03 mil M€
−52,9%
- CP — Comboios de Portugal837,2 M€117,9 M€
−85,9%
- Unidade Local de Saúde de Santa Maria517,8 M€531,2 M€
+2,6%
- Estado Maior da Força Aérea441,1 M€128,5 M€
−70,9%
- Unidade Local de Saúde de São José421,9 M€366,0 M€
−13,3%
- Unidade Local de Saúde de Coimbra374,8 M€430,4 M€
+14,8%
- Unidade Local de Saúde de Santo António358,7 M€402,0 M€
+12,1%
- Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental223,9 M€236,4 M€
+5,6%
- Instituto Português de Oncologia do Porto211,2 M€266,9 M€
+26,4%
- Unidade Local de Saúde do Algarve204,1 M€179,5 M€
−12,1%
Base de contratos públicos indexada no Sabemos Studio · leitura a 10/10/2026 · valores declarados pelos adjudicantes no momento da publicação.
Os maiores compradores, em valores absolutos
| Entidade adjudicante | Contr. 2025 | Valor 2025 | Contr. 2026 | Valor 2026 | Variação |
|---|---|---|---|---|---|
| Infraestruturas de Portugal | 726 | 2,18 mil M€ | 616 | 1,03 mil M€ | −52,9% |
| CP — Comboios de Portugal | 52 | 837,2 M€ | 106 | 117,9 M€ | −85,9% |
| Unidade Local de Saúde de Santa Maria | 5090 | 517,8 M€ | 4319 | 531,2 M€ | +2,6% |
| Estado Maior da Força Aérea | 1902 | 441,1 M€ | 1439 | 128,5 M€ | −70,9% |
| Unidade Local de Saúde de São José | 4206 | 421,9 M€ | 3272 | 366,0 M€ | −13,3% |
| Unidade Local de Saúde de Coimbra | 3775 | 374,8 M€ | 4087 | 430,4 M€ | +14,8% |
| Unidade Local de Saúde de Santo António | 1480 | 358,7 M€ | 1279 | 402,0 M€ | +12,1% |
| Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental | 2040 | 223,9 M€ | 1927 | 236,4 M€ | +5,6% |
| Instituto Português de Oncologia do Porto | 15255 | 211,2 M€ | 8940 | 266,9 M€ | +26,4% |
| Unidade Local de Saúde do Algarve | 3778 | 204,1 M€ | 2778 | 179,5 M€ | −12,1% |
Como se lê isto. A comparação usa o mesmo intervalo de calendário nos dois anos — 1 de janeiro a 10 de outubro —, porque 2026 ainda não está fechado. Os totais de 2025 aparecem em duas versões: o ano completo (246 992 contratos, 23,67 mil M€) e o período comparável (173 830 contratos, 17,41 mil M€). Os gráficos de CPV e de empresas mostram euros absolutos, somados classe a classe e empresa a empresa para todo o ano de cada ano: não são percentagens nem valores por contrato. Duas reservas de método: o valor é o declarado pelo adjudicante no momento da publicação, sem aditivos posteriores, e a classe de CPV agrupa vários códigos de oito dígitos. Os mesmos números estão no relatório em PDF, no botão no topo do artigo.
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Diga-nos o NIF, o município ou a classe de CPV e devolvemos a leitura de 2025 contra 2026, com a fonte de cada valor.