Metade dos contratos das câmaras é ajuste direto — e vale 11% do dinheiro

Equipa Sabemos Studio03/11/202635 min de leituraAnálises

26 676 contratos adjudicados sem concurso em 2025, 569 milhões de euros. Em 21 concelhos o ajuste direto passa dos 70% dos contratos; em Lisboa são dois terços.

Os municípios portugueses fizeram 26 676 ajustes diretos em 2025 — 48% de todos os contratos das câmaras, Mas, somados, valem apenas 0,57 mil milhões de euros, 11% do dinheiro que as câmaras gastaram a contratar.

É a fotografia de um sistema a duas velocidades: o dia-a-dia compra-se sem concurso, aos milhares de pequenos contratos; o dinheiro a sério vai para um punhado de concursos públicos. O mapa mostra onde essa proporção se desequilibra.

O essencial

ajustes diretos26 67648% dos contratos municipais
valor569 M€11% do total das câmaras
concelhos acima de 70%21dos contratos, não do valor
mediana dos concelhos49%dos contratos em ajuste direto

O ajuste direto, concelho a concelho

48% dos contratos das câmaras são adjudicados sem concurso — mas valem só 11% do dinheiro.

Ajuste direto—milhões de euros
Contratos—ajustes diretos
Peso em nº—dos contratos
Concelhos >70%—dos contratos

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Clica no mapa ou na tabela: vês quantos contratos e quanto dinheiro vão sem concurso.
ConcelhoDistritoAjustes% contratosValor

Como se contrata no país

Valores de 2025 em toda a contratação pública indexada. O ajuste direto é o procedimento mais usado em número (110 mil contratos) e o terceiro em valor, atrás do concurso público e dos acordos-quadro.

Quem mais ganha por ajuste direto

EmpresaNIFContratosValor

O que os números dizem

Não é o dinheiro, é o volume. O concelho mediano faz 49% dos contratos por ajuste direto e gasta aí apenas 12%** do seu orçamento de compras. Ou seja: a maior parte das decisões é pequena, mas é aí que se concentra o risco de favoritismo e de mercado fechado.

Os Açores lideram por valor. Angra do Heroísmo (89%), Vila da Praia da Vitória (71%), Vila Franca do Campo (64%) têm a maior fatia do dinheiro em ajuste direto — ilhas pequenas, poucos fornecedores, contratos de serviços essenciais. Em valor absoluto, quem mais adjudica assim é Lisboa (22 M€), Ponta Delgada (12 M€), Almada (11 M€).

Lisboa é o retrato do país. Dois terços dos contratos da câmara são ajuste direto, mas valem 15% do valor: muitos serviços pequenos de um lado, as empreitadas grandes do outro, sempre em concurso.

Metodologia: contratos de 2025 no IQ OS (base.gov.pt), entidade adjudicante municipal, procedimento «Ajuste Direto Regime Geral». Os valores por concelho incluem todos os procedimentos; a percentagem de contratos é calculada sobre o número de adjudicações. O ajuste direto tem limiares legais que dependem do objeto e do valor, pelo que uma proporção elevada num concelho pequeno pode refletir poucos contratos de grande dimensão e não prática irregular. Não há aqui qualquer juízo sobre legalidade — apenas sobre proporções.

Fontes